A startup sul-africana Yebo Fresh está mostrando que a inovação no varejo também passa pela inclusão. Fundada em 2018 por Jessica Boonstra, a empresa criou um modelo de supermercado online voltado às townships — comunidades periféricas da África do Sul que, historicamente, têm acesso limitado ao varejo formal.
O negócio combina canais digitais de compra com uma operação logística desenvolvida especialmente para essas regiões, garantindo a entrega de alimentos frescos e produtos essenciais diretamente aos consumidores.
O case integra o Retail Innovations 2026, publicação anual do Ebeltoft Group — aliança global de consultorias da qual a Gouvêa Ecosystem faz parte.
Canais acessíveis da Yebo Fresh
Para reduzir barreiras de acesso, a Yebo Fresh permite que os pedidos sejam realizados por diferentes canais, incluindo site, chatbot no WhatsApp, SMS e até pelo serviço “Please Call Me”, que possibilita ao consumidor solicitar um retorno telefônico para concluir a compra. A estratégia amplia o acesso mesmo entre pessoas que não possuem smartphones ou conexão constante à internet.
Os pedidos são preparados em um centro de distribuição de 2.400 metros quadrados, na Cidade do Cabo, e entregues diretamente nas comunidades. Além dos consumidores finais, a operação foi expandida para atender organizações sociais, cozinhas comunitárias e pequenas mercearias de bairro, conhecidas como spaza shops.
A Yebo Fresh também oferece diferentes formas de pagamento, como dinheiro na entrega, cartões, carteiras móveis e crédito no modelo Buy Now, Pay Later (BNPL) para pequenos varejistas previamente aprovados.
Entregas feitas por moradores da comunidade
Um dos principais diferenciais da operação da Yebo Fresh está na logística de última milha. As entregas são realizadas por moradores das próprias comunidades, que utilizam o conhecimento das ruas, vielas e pontos de referência locais para localizar os clientes, superando um dos maiores desafios do comércio eletrônico nessas regiões: a ausência de endereços formais.
Segundo o Ebeltoft Group, esse modelo demonstra que a inovação não depende apenas de tecnologias sofisticadas, mas da capacidade de desenvolver soluções adequadas às necessidades reais da população.
“A Yebo Fresh redefiniu o varejo alimentar ao criar um modelo pensado desde o início para atender comunidades periféricas, em vez de adaptar soluções desenvolvidas para grandes centros urbanos”, destaca a entidade.
Na avaliação da aliança, a empresa conseguiu conectar a cadeia formal de abastecimento ao comércio informal das comunidades, ampliando o acesso a alimentos, gerando empregos locais e fortalecendo pequenos empreendedores. O resultado é um modelo de negócio escalável que alia eficiência operacional, impacto social e inclusão econômica.
Imagens: Divulgação















