Dafiti negocia marcas globais inéditas: “Atraímos parceiros com modelo sem Capex”, diz CCO

Companhia, que comercializa exclusivamente brands com GAP, Mango e Topshop, deve ampliar portfólio em breve

Enquanto o varejo de moda debate como sobreviver à concorrência asiática e à volatilidade macroeconômica, a Dafiti, com presença no Brasil e Colômbia, na América do Sul, avança numa direção diferente: se consolidar como como a infraestrutura da moda no Brasil. A plataforma – braço latino-americano de um grupo alemão com sede na Inglaterra e operações na Ásia e Oceania – opera com um autostore de 250 mil metros quadrados, em Minas Gerais – e reporta como o maior centro de distribuição de moda online na América Latina. São 300 robôs responsáveis pelo picking, packing e expedição de produtos, entregando 50% mais rapidez do que sellers que operam fora do seu modelo de fulfillment e next day delivery para algumas capitais, disse Daniel Soares, CCO Latam da marca, ao M&C Talks. “Atraímos parceiros com modelo sem Capex. O seller troca custo operacional por margem de lucro.”

Com capacidade de entrega e autostore gigante, a Dafiti acredita na ampliação de seu portfólio em breve.  “Estamos negociando com novos players globais sem presença no Brasil. Os nomes, por ora, ficam em segredo”.

É sobre essa base tecnológica e vantagem de que a empresa construiu o conceito de “shopping de bolso”: marcas e sellers abrem uma loja digital de abrangência nacional dentro da plataforma sem Capex, sem obra civil, sem custo operacional – entregam o estoque no CD da Dafiti e todo o ecossistema, incluindo logística reversa e atendimento ao cliente, é operado pela empresa.

O modelo tem atraído grandes nomes. A espanhola Mango – marca global que o mercado brasileiro ainda pergunta quando vai chegar – é exclusiva da Dafiti no País, assim como a britânica Topshop, além de GAP e Tricae. Lacoste, Michael Kors e Hugo Boss estão presentes na plataforma, assim como marcas brasileiras, como Arezzo, Capodarte, Farm e Hering. São mais de 30 marcas que operam com Dafiti.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida pelo executivo à Mercado&Consumo:

Mercado&Consumo — O que é o conceito de “shopping de bolso” da Dafiti?

Daniel Soares — É onde a gente convida os parceiros a abrirem uma loja dentro da nossa estrutura de moda, sem Capex, sem obra civil, sem custo operacional — com uma loja digital de abrangência nacional. O parceiro só precisa agendar a entrega do estoque dentro do nosso CD. A partir daí, todo o ecossistema é pilotado por nós, inclusive pós-venda, logística reversa e atendimento ao cliente.

Como a tecnologia sustenta esse modelo?

Temos o maior autostore da América Latina – uma grande estrutura que faz o picking, packing e expedição, tudo automatizado por 300 robôs. O machine learning atua posicionando os estoques de acordo com a demanda de venda para ganhar agilidade. Com isso, conseguimos na média uma entrega 50% mais rápida do que o seller que não está no nosso modelo de fulfillment, e next day delivery para algumas capitais.

A Dafiti se posiciona como destino de moda, não generalista. Qual é a vantagem disso?

A gente encontrou um pedaço especial para trabalhar dentro do mercado de moda. Temos marcas exclusivas, inclusive globais que não é possível comprar no Brasil a não ser através da Dafiti. A Mango é um exemplo – você só compra Mango no Brasil pela Dafiti, feminina, masculina e infantil, com coleção nova todo mês.

Que marcas globais estão por vir?

Estamos em negociações fortes, principalmente com marcas globais. Já temos no portfólio os principais players nacionais e, no conceito de shopping de bolso, grandes nomes como Lacoste e Capodarte. As que estão por vir vou deixar em segredo – mas virão novidades.

Como a Inteligência Artificial entra na operação?

A Dafiti lançou o selo Dafiti High – de Hybrid Intelligence. Somos uma empresa AI-driven, incentivamos nossos funcionários a operar com agentes que aperfeiçoam a inteligência humana. Temos o índice de probabilidade de sucesso de produto e o modelo preditivo de demanda futura. O mecanismo não é novo, mas antes era 100% humano, olhando dados passados. Hoje opera numa velocidade muito maior, com muito mais camadas de dados.

Players asiáticos. Ameaça ou oportunidade?

O mercado todo sentiu, mas já tem alguns anos. Acho que hoje todos já encontramos onde atuar para nos proteger dessa competitividade. No caso da Dafiti, como somos basicamente uma casa de marcas globais, encontramos um espaço que certamente essas marcas não vão ocupar nos players chineses.

Qual é a grande dor operacional de uma empresa do tamanho de vocês no Brasil?

No Brasil sempre é logística. A gente vem se aperfeiçoando, mas ainda temos dificuldades com a malha, principalmente para o Norte e Nordeste. O consumidor de lá ainda sofre com prazos mais esticados – e isso vale para o mercado inteiro.

Num cenário de juros altos e volatilidade, a estratégia é desalavancar ou investir?

A receita do sucesso para a gente é a constância nos focos da nossa estratégia. A gente investe cada vez mais forte em infraestrutura para ser a infra de moda de verdade. As variações do mercado são variações para todo mundo – e quem mantiver o foco no cliente e continuar investindo vai sair na frente quando o ciclo virar.

Imagem: Divulgação Gouvêa Experience

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