Mercado livreiro soma 54 mil empresas ativas e pretende continuar em alta em 2026

Avaliação é da presidente da Câmara Brasileira do Livro, Sevani Matos

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O setor editorial e livreiro encerrou 2025 com mais de 54 mil empresas e estabelecimentos ativos no País, número que representa um crescimento acumulado de 13% em relação a 2023. O avanço, identificado em mapeamento da Câmara Brasileira do Livro (CBL), sustenta o otimismo do setor para 2026, após expansão do número de empresas e ampliação da presença territorial.

O retrato revela ainda um ramo de base empreendedora, formado por empresários individuais (59%), sendo a maior parte deles (83%) microempreendedores.

O estudo, feito em parceria com a Analytics Valuation Reporting Insights (AVRI), também detalha o peso do comércio varejista de livros na estrutura do setor. A cadeia do livro está presente em 2.495 municípios brasileiros, mas ainda carrega forte concentração regional no emprego: o comércio varejista de livros, principal empregador do segmento com cerca de 27 mil postos de trabalho diretos, tem 56% dessas vagas no Sudeste.

No total, são 70 mil vagas espalhadas no varejo, nos serviços e na indústria. Além do retrato econômico, o levantamento buscou medir impactos no desenvolvimento local e identificou que, nos 1.830 municípios com livrarias, o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC) — indicador que avalia desempenho socioeconômico, ambiental e de governança — é cerca de 3% superior à média nacional.

CBL mapeia setor e identifica desafios ao crescimento

Em entrevista à Agência DC News, a presidente da CBL, Sevani Matos, afirma que o mapeamento foi fundamental para dimensionar o mercado e, com base nos dados, é possível ver um cenário otimista.

Matos, que também é diretora-geral da VR Editora, iniciou seu mandato na CBL em 2023 e foi reeleita em fevereiro de 2025, com gestão estendida até 2027. Um dos fatores para a recondução, segundo ela, foi o empenho em mapear o setor e revelar dores e oportunidades dos empresários.

Entre os desafios, Matos aponta que um mercado majoritariamente composto por microempresas e empresários individuais exige esforço coordenado da entidade, do poder público e da iniciativa privada para avançar na profissionalização, gestão e eficiência. Do lado das oportunidades, a presidente da CBL destaca inovação, melhor distribuição e presença digital como apostas para sustentar o crescimento, em um cenário em que a expansão depende não apenas da abertura de pontos de venda, mas da sustentabilidade do negócio. Confira a entrevista.

O estudo aponta um crescimento de 13% no número de empresas entre 2023 e 2025. Esse bom resultado deve se manter este ano?
Em 2026, a perspectiva da CBL é de manter a trajetória de crescimento e qualificação, com atenção especial aos segmentos que mais avançaram no período, edição de livros e comércio varejista, e à melhoria do ambiente de negócios para que esse crescimento também se traduza em mais emprego e desenvolvimento local.

Como foi elaborado o levantamento?
Este estudo é um raio-x estruturante que envolve empresas, empregos, presença territorial e impactos no desenvolvimento. Mas, nessa versão, ainda não mensuramos o volume financeiro movimentado pelo setor. Entendemos que foi um primeiro passo para a evolução contínua desse diagnóstico, ampliando a base de evidências para subsidiar políticas públicas e decisões econômicas do setor.

Olhando, então, para o perfil do setor, o que podemos dizer sobre o empresário do ramo?
O estudo evidencia um setor de base empreendedora, em que 83% são microempresas e 59% são empresários individuais, o que mostra vitalidade, diversidade e capilaridade, mas também reforça a necessidade de medidas que fortaleçam sustentabilidade, gestão e competitividade. A CBL vê como tendência a profissionalização e a consolidação de capacidades, especialmente em inovação, distribuição e presença digital. Pelos dados do período, os segmentos com maior dinamismo e potencial de liderança são edição de livros e comércio varejista, que se destacam no crescimento de empresas entre 2023 e 2025.

O comércio varejista de livros concentra a maior parte dos empregos, especialmente no Sudeste. Há expectativa de expansão mais equilibrada para outras regiões do país até 2026?
O varejo é o maior gerador de empregos no setor, são cerca de 27 mil empregos diretos, e o estudo mostra uma concentração no Sudeste, que responde por 56% dos empregos do comércio varejista de livros. Ao mesmo tempo, o setor do livro está presente em todas as regiões e em milhares de municípios, o que abre espaço para uma estratégia de maior equilíbrio regional.

E como melhorar essa distribuição?
O desenvolvimento econômico regional é importante para que esse crescimento aconteça em outras regiões também. A CBL também incentiva ações que ampliem o acesso e a sustentabilidade das livrarias e pontos de venda fora dos grandes centros, com atenção à logística, à formação de público leitor e ao fortalecimento do ecossistema local.

O que o estudo mostra sobre a relação entre ter livrarias e melhor desenvolvimento social?
O estudo traz um dado muito relevante, nos 1.830 municípios com livrarias, o IDSC é cerca de 3% superior à média nacional. Isso reforça o livro e a livraria como infraestrutura cultural que se conecta a educação, cultura e desenvolvimento. A CBL acredita que é importante a abertura e a manutenção de livrarias e pontos de circulação do livro, sobretudo em cidades que hoje não possuem lojas de livros, incentivando parcerias, articulação com políticas de leitura e iniciativas que fortaleçam a cadeia local do livro.

Indo de dentro para fora do Brasil, como vocês entendem o mercado internacional para os livros brasileiros?
A CBL desenvolve diversas ações estruturadas para fortalecer a internacionalização do livro brasileiro, e o projeto Brazilian Publishers é um dos principais exemplos desse trabalho contínuo. Os resultados mais recentes demonstram que o Brasil vem consolidando sua presença no mercado editorial internacional.

Como seria essa presença em números?
Um levantamento do projeto aponta que, nas três últimas edições da Feira do Livro de Frankfurt, as editoras brasileiras acumularam mais de US$ 20 milhões em negócios, o que representa um crescimento de 47% desde 2023. Somente em 2025, o volume negociado chegou a US$ 8,1 milhões, superando os resultados de 2024 (US$ 6,8 milhões) e 2023 (US$ 5,5 milhões), no principal evento editorial do mundo.

O que explica esse avanço tão forte?
Profissionalização e maturidade das editoras brasileiras na exportação de conteúdo. Em Frankfurt 2025, foram realizadas mais de 300 reuniões de negócios, com a participação de 26 editoras, número que se manteve estável, evidenciando que o crescimento não está apenas na quantidade, mas na qualidade das negociações. O estande do Brasil esteve entre os mais movimentados da feira, consolidando-se como espaço estratégico de networking e visibilidade internacional.

As feiras seguem importantes este ano?
Sim, nossa expectativa é ampliar a presença do Brasil em feiras estratégicas, fortalecendo ações de capacitação, matchmaking e promoção de direitos autorais, além de avançar na digitalização de processos e serviços do setor, inclusive no âmbito do ISBN. O objetivo é reduzir barreiras, qualificar dados e criar condições para que mais editoras brasileiras ampliem sua atuação global, reforçando o Brasil como produtor relevante de conteúdo, conhecimento e diversidade editorial.

Com informações de DC NEWS.
Imagem: Envato 

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