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Década sombria ou volta por cima? No fundo, depende de nós

Com a imagem do Cristo Redentor com máscara de oxigênio na capa, a chamada sobre a década sombria do Brasil e as matérias especiais sobre o tema, a “The Economist” da semana criou a sensação de um soco no estômago em quem insiste em acreditar no Brasil. E vale refletir sobre tudo isso e o papel do setor empresarial na transformação da realidade.

Década sombria ou volta por cima? No fundo, depende de nós
Capa da revista “The Economist” desta semana

Não é a primeira vez que a revista, uma referência global pela acuidade de seu conteúdo e pela repercussão de suas matérias, premia o Brasil com uma reportagem especial com uma visão realista, embasada, porém extremamente crítica, sobre nossa realidade e perspectivas. E que provoca inevitáveis e profundas reflexões.

Ao longo do tempo recente, o enfoque variou da surpresa positiva em novembro de 2009 com a capa com o Cristo Redentor decolando como um foguete – “Brazil takes off” – e as matérias valorizando o comportamento da economia e do País. Apenas quatro anos depois, em setembro de 2013, o mesmo Cristo Redentor na capa, em voo sem rumo, ilustrava a chamada-interrogação e o País teria estragado tudo – “Has Brazil blown it?”

Agora, passada pouco mais de uma década, a chamada-provocação sobre os erros do período.
É inegável e ninguém de bom senso e minimamente informado vai contestar os desacertos que temos cometido como Nação, desperdiçando oportunidades e nos distanciando das economias mais desenvolvidas, exclusivamente por nossas próprias opções e escolhas. Se nada for feito estruturalmente, o fosso só vai aumentar.

Década sombria ou volta por cima? No fundo, depende de nós
Cristo Redentor em duas capas da revista “The Economist” em menos de 15 anos

“Mind the Gap” foi o título do momentum de março de 2019, logo após termos usado essa expressão no fechamento do 7º Fórum Lide do Varejo para alertar sobre esse crescente distanciamento que o País vive das economias e sociedades mais desenvolvidas, exatamente pelos equívocos das escolhas e a insistência em continuarmos fazendo as mesmas coisas esperando resultados diferentes – o que, como se propala, seria a definição de insanidade.

De fato, matérias como essas, o clima político, os desacertos na condução das questões durante a pandemia, as perspectivas geradas pela execrável polarização para as eleições presidenciais do próximo ano, o desemprego, o tempo demandado para a retomada plena, o aprofundamento dos desequilíbrios sociais, econômicos e regionais e tudo o mais são frustrantes.

Mas não deveriam nos fazer perder o rumo e a esperança. Muito ao contrário. Deveriam nos fazer refletir sobre nossa própria atitude e postura como líderes de setores empresariais.

A visão de que nosso papel é gerar emprego e resultados e que as questões que envolvem o País devem ser foco dos poderes institucionais – Executivo, Judiciário e Legislativo – não se sustenta. É exatamente a síntese do continuar fazendo a mesma coisa esperando resultado diferente.

Nunca se debateu tanto, tão profunda e extensamente, sobre nossos erros e acertos. Nunca se discutiu tanto sobre os caminhos possíveis e estamos exatamente no ponto em o que se desenha é mais do mesmo, que já sabemos como termina: mais desigualdade, mais insanidade, mais perda de tempo e oportunidade.

Vamos focar em tomar conta de nossos negócios, enquanto o País de deteriora em quesitos fundamentais?

Mais do que nunca, é tempo de o setor empresarial, por seu preparo, visão, competência, conhecimento e capacidade de articulação, entrar no campo que envolve os grandes temas nacionais para atuar de forma decisiva para criar uma outra realidade, uma outra perspectiva.

Afinal, são as lideranças desses setores que criaram empreendimentos relevantes em termos globais nas mais diversas áreas, como agricultura, alimentos, bebidas, aeronáutica, varejo e muito mais.

É preciso sair da zona de conforto do cuidar de forma visionária e competente de nossos negócios para cuidar de forma responsável do País.

Que essa matéria, a chamada de capa da The Economist, e tudo mais que lemos, ouvimos e debatemos sejam mais elementos para precipitar reflexões mais profundas, para além do debater e ouvir, para agir para transformar essa mais do que incômoda, porém verdadeira, realidade.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado & Consumo.

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, membro do IDV – Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, do IFB – Instituto Foodservice Brasil, Presidente do LIDE Comércio e membro do Ebeltoft Group, aliança global de consultorias especializadas em varejo em mais de 25 países. Publisher da plataforma Mercado & Consumo.

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