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Panorama Mercado&Consumo: O que esperar da economia nos próximos dias

Inflação e desemprego preocupam no Brasil; EUA veem aumento de gastos com consumo

Mesmo com o avanço dos índices de vacinação contra a Covid-19, a economia brasileira ainda está em situação preocupante: o índice de desemprego permanece em 14,7%, um recorde histórico, e transportes, habitação e uma possível crise hídrica pressionam o Banco Central a elevar mais a taxa básica de juros da economia, a Selic.

Nos Estados Unidos, a população vai aos poucos de desfazendo da poupança e elevando o padrão de consumo, enquanto milhares de vagas de emprego são criadas. Por outro lado, na China há dados preocupantes no setor de serviços, que já representa contração.

Esses e outros temas são tratados no “Panorama Mercado&Consumo” desta semana, produzido pelo time da Gouvêa Analytics, integrante da Gouvêa Ecosystem. Confira, a seguir, os principais pontos de atenção nos próximos dias na economia.

Cenário econômico nacional

A inflação medida pelo IPCA-15, que é uma referência para a inflação de junho (é medida entre 15 de maio a 15 de junho) subiu mais do que o esperado pelo mercado e bateu em 0,83%. Novamente transportes, principalmente combustíveis, levaram o índice para cima, seguido de habitação – este último já refletindo os aumentos de energia elétrica.

A crise hídrica continua assustando e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já liberou outro aumento de mais de 50% na tarifa vermelha 2. A estimativa é que haja um impacto de 0,5% na inflação do ano. Crescem as apostas num aperto monetário ainda maior na próxima reunião do Comitê de Política Econômica do Banco Central, com a possibilidade de aumento de até 1 ponto percentual na Selic.

O desemprego manteve o recorde histórico de 14,7% no final de abril. No mesmo período do ano passado, a taxa estava em 12,6%. O total de pessoas desempregadas também bateu novo recorde: 14,8 milhões. Já em relação à população ocupada, houve estabilidade (85,9 milhões), com crescimento da população desocupada e mais pressão sobre o mercado de trabalho. Ainda assim, o número pode ser considerado positivo, uma vez que a Pnad de abril mostra dados de março, o pior ponto da segunda onda.

O risco político continua gerando incertezas, com atuação mais forte da CPI da Covid-19 contra o governo. Números do cenário apontam para um câmbio ainda menor, mas esse risco breca a valorização ainda maior do real.

A arrecadação federal bateu novo recorde em maio, R$ 142,1 bilhões, o maior valor da série histórica. Em relação a maio de 2020, o aumento foi de 69,8%. Embora tenha tido uma queda na margem de -10,1% o número veio acima da expectativa mais otimista do mercado. O acumulado do ano já chega a 744,8 bilhões, também o maior número da série histórica.

Já o Banco Central divulgou que a divida bruta do governo federal em relação ao PIB teve nova queda de 85,6% para 84,5% em maio. O resultado positivo teve influência da valorização do real frente ao dólar e do deflator que está acima do IPCA. No total, a dívida bruta somou R$ 6,69 trilhões. Na comparação anual, houve queda de 4,4 pontos percentuais.

Cenário econômico internacional

O padrão de consumo nos EUA já dá mostras de mudança. Famílias com renda maior que US$ 200 mil ao ano aumentaram gastos em restaurantes em mais de 16% no mês de junho em relação a maio. Até as famílias com menor renda, entre U$ 30 mil e U$ 60 mil, aumentaram esses gastos em 5%. Gastos com bens de consumo duráveis estão ficando menos intensos.

A poupança média do cidadão americano caiu de 14,5% no auge da pandemia para 12,4% em junho. Ainda assim, vale lembrar que esse número é alto, pois antes da pandemia ficava 8,3%. Isso mostra que ainda há muito espaço para consumo, principalmente de serviços, nos pós-pandemia.

Em junho, a economia americana criou 850 mil empregos, continuando o processo de recuperação e superando as expectativas de mercado. Isso deve colocar mais dúvidas sobre o futuro da condução da política monetária do Fed, o banco central americano.

Por outro lado, os dados econômicos chineses de junho preocupam. Exportações em queda e importações em alta fizeram os índices industriais, como o PMI geral, caírem de 55,2 em maio para 53,5 em junho – números acima de 50 representam expansão. O dado preocupante é sobre os serviços, pois o índice de atividade de serviços caiu de 54,3 para 52,3 e o de novas ordens de serviços de 52,0 para 49. Este último número já representa contração.

Gouvêa Analytics é a unidade de mapeamento de tendências econômicas da Gouvêa Ecosystem.
Imagem: Bigstock

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