A empresa brasileira Serra Verde, que atua com mineração de terras raras, foi adquirida pela empresa USA Rare Earth (USAR), mineradora norte-americana, em negociação equivalente a cerca de US$ 2,8 bilhões. A compra foi anunciada nesta segunda-feira, 20, pelas companhias.

A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, em Minaçu (GO) — a única unidade de argilas iônicas ativa no Brasil, em produção desde 2024. A companhia destaca-se como a única produtora, fora da Ásia, de elementos de terras raras pesadas altamente valiosos, como Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). Atualmente, mais de 90% da extração global de terras raras é concentrada na China.
Esses materiais são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes de alta potência, utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs e drones. Além da tecnologia verde, as terras raras atendem a setores estratégicos como defesa, aeroespacial e semicondutores.
Segundo a Serra Verde, o projeto tem potencial para torná-la uma das maiores referências globais do setor. Atualmente, a produção em Goiás está na primeira fase e é considerada modesta, mas a expectativa é dobrar a capacidade até 2030.
“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e “downstream” da USAR”, informou o grupo Serra Verde, em declaração ao mercado.
Contrato de 15 anos
O contrato estabelece o fornecimento de 100% da produção da Fase I por um período de 15 anos. O destino é uma Sociedade de Propósito Específico (SPV) capitalizada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados, contando com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas.
“O Acordo de Fornecimento proporciona fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, reduzindo riscos, apoiando investimentos e apoiando seu desenvolvimento com sucesso”, afirma a nota do USAR.
Segundo o comunicado, o acordo possibilitará a criação de “uma empresa multinacional líder em terras raras de mineração de mina ao ímã, com oito operações, no Brasil, EUA, França e Reino Unido e com capacidades operacionais ativas em toda a cadeia de suprimentos de terras raras leves e pesadas, incluindo mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs.”
“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a USAR, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, disse Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde.
O mercado recebeu bem o anúncio. Por volta das 15h30, as ações da USAR na Nasdaq registravam alta de mais de 8%. A aquisição mantém a equipe da empresa brasileira, com dois de seus executivos incorporados na diretoria da USAR, Sir Mick Davis e Thras Moraitis, respectivamente o Presidente do Conselho e o CEO do Grupo Serra Verde.
Em vários discursos, Donald Trump tem abordado a questão das terras raras e criticado a dependência mundial da produção chinesa, o que tem gerado divergências com Pequim.
Com informações de Agência Brasil.
Imagem: Agência Brasil














