Com 1.954 fábricas que produziram mais de 15 bilhões de litros de cerveja em 2025, segundo dados do Anuário do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil consolidou-se como o terceiro maior consumidor da bebida no mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos, de acordo com a Kirin Holdings. Dentro desse universo, o segmento de cerveja premium vem se destacando à medida que os consumidores valorizam cada vez mais qualidade e diferenciação na hora da compra.
A Ambev confirma esse crescimento na busca por cervejas mais premium. De acordo com a empresa, no primeiro trimestre de 2026, a categoria premium, que reúne rótulos como Stella Artois, Corona e Original, registrou crescimento de 20%. Já a categoria de “escolhas equilibradas”, que inclui opções sem álcool, sem glúten e de baixa caloria, avançou mais de 70%.
“Em 2025, retomamos a liderança da categoria premium no Brasil depois de 10 anos. Já no primeiro trimestre de 2026, o desempenho garantiu que o volume de cerveja no Brasil crescesse 1,2%, superando a média da indústria”, diz a Ambev, que também destaca o crescimento de 160% do rótulo Stella Pure Gold após o lançamento da versão de 600 ml e de 180% da Michelob Ultra.
Um estudo realizado pela Pint Network aponta que as cervejas classificadas na categoria “comum” pela pesquisa, na qual estão incluídas marcas como Heineken, Brahma e Antarctica, são consumidas por 33,4% dos entrevistados. Caracterizadas por ampla distribuição nacional e preços de baixo a médio valor, essas marcas registram um gasto médio de R$ 223 por consumidor, tendo o preço como principal critério de escolha.
Já a categoria especial, que inclui rótulos como Lagunitas, Baden Baden e Hoegaarden, entre outros, é consumida por 17,7% dos participantes do estudo. Com preços médios a altos e propostas mais diferenciadas, embora pertençam a grandes grupos cervejeiros, essas marcas apresentam gasto médio de R$ 235 por consumidor. Nesse segmento, o principal fator de escolha é o custo-benefício.
De acordo com Ludmyla Almeida, sócia-diretora da Pint Network, as grandes cervejarias passaram a investir fortemente na categoria premium ao identificarem um público disposto a pagar mais quando percebe valor agregado na marca. “A cerveja premium segue sendo consumida por uma faixa de público que fala: ‘Bom, se eu enxergo nessa marca status social, se eu enxergo nessa marca qualidade, eu estou disposto a pagar mais por ela’.”

Novas gerações, novos comportamentos
Nessa onda de busca por hábitos mais saudáveis, o consumo de bebidas alcoólicas também vem sendo impactado, com a geração Z protagonizando esse movimento. A MindMiners aponta que apenas 45% dos nascidos entre 1997 e 2012 consomem bebidas alcoólicas.

Mas marcas como a Heineken vêm tentando contornar esse cenário ao apostar em rótulos sem álcool, como a Heineken 0.0, que, segundo dados da NielsenIQ, tornou-se a marca mais vendida da categoria no País.
“As novas gerações têm mostrado uma relação mais equilibrada com o consumo de bebidas alcoólicas. O Grupo Heineken observa uma transformação na relação das pessoas com o consumo: o consumidor de hoje não quer abrir mão de experiências, sabor ou socialização, mas busca cada vez mais flexibilizar suas escolhas para que se adaptem a diferentes momentos da rotina. Isso impulsiona tanto o segmento premium quanto a categoria zero álcool”, explica Eduardo Picarelli, diretor da unidade de Negócios da marca no Brasil.
Ludmyla Almeida afirma que as novas gerações também vêm buscando outras formas de entretenimento e até mesmo outras formas de relaxamento. “Eu acredito que existe uma parcela significativa dessa geração que procura alternativas mais saudáveis e está em busca de opções sem glúten, com baixo teor alcoólico ou até cervejas zero. Mas também há um crescimento muito forte dos drinques prontos, que podem facilitar a aproximação dessa geração mais jovem com o álcool, de certa forma”, destaca.
Mas não é apenas a Heineken que decidiu embarcar na onda do zero álcool. A Ambev conta com rótulos como Budweiser Zero e Corona Cero, por exemplo. No ano passado, a companhia aumentou em 40% a produção de cervejas sem álcool no primeiro trimestre e em 20% no segundo. A decisão foi impulsionada pelos resultados de 2024, quando as vendas das cervejas zero álcool da empresa cresceram 20%.
De acordo com a Ambev, a procura pelas versões sem álcool faz parte da busca dos consumidores por alternativas que ofereçam equilíbrio e permitam incluir a cerveja em novas ocasiões de consumo.
“Para atender essa demanda, a Ambev atua com a estratégia de ‘abrir gaps’, antecipando tendências em vez de apenas reagir a elas. Um exemplo foi o uso do Zé Delivery como hub de inovação para testar a Skol Zero Zero, que obteve quase 90% de percepção de marca neutra ou melhor após a experimentação”, destaca a companhia.
Cerveja e futebol: parte da cultura brasileira
Para o brasileiro, um jogo de futebol e uma cerveja gelada formam uma combinação clássica. E a Copa do Mundo surge como o cenário perfeito para isso, tanto para quem pretende acompanhar os jogos quanto para as marcas do setor.
Para se ter uma noção da paixão dos brasileiros por essa combinação, durante o torneio, 58% dos torcedores esperam aumentar o consumo de cerveja, percentual superior ao registrado nos países que sediarão a Copa do Mundo: México (43%), Estados Unidos (33%) e Canadá (25%). Os dados são de um relatório produzido pelo Citi.
“Agora vai acontecer a Copa do Mundo de fato, e eu acho que é um momento em que o brasileiro e o mundo inteiro tentam relaxar um pouco mais. O sucesso vai depender também do desempenho da nossa seleção. Conforme ela for avançando na competição, acredito que os negócios também conseguirão se manter aquecidos”, explica Ludmyla Almeida.
A Ambev afirma que está se preparando para a maior Copa do Mundo da história e que possui uma estratégia focada em estar presente onde o torcedor estiver, seja no bar, seja em casa.
“Para além do impulso nas vendas, esse é um período que surge como oportunidade de conexão com as pessoas. O futebol tem a capacidade de unir pessoas em uma só torcida, e aproveitamos essa sinergia para consolidar o prestígio das nossas marcas. O torneio nos permite fomentar diálogos autênticos e gerar valor, estreitando os laços de confiança com um consumidor que busca, cada vez mais, experiências que unem qualidade e celebração”, diz a companhia.

Já a Heineken espera ampliar o consumo com o recente lançamento da Heineken Ultimate, rótulo lançado exclusivamente no Brasil. Como o País é atualmente o principal mercado da marca no mundo, a empresa vê potencial para expandir as ocasiões de consumo dentro da categoria premium.
“Com o novo rótulo, a expectativa é que o consumidor amplie as ocasiões de consumo da marca dentro da categoria premium ao optar por uma cerveja em dia de jogo, valorizando sabor, qualidade e socialização, além de buscar alternativas mais flexíveis para diferentes momentos da rotina”, acrescenta Picarelli.
Imagens: Envato e Divulgação















