A EuroShop, maior feira global dedicada a equipamentos, tecnologia e design para o varejo, evidencia uma transformação consistente na forma como as lojas estão sendo concebidas. Elas estão mais sustentáveis, modulares e integradas a soluções tecnológicas que ampliam conveniência e eficiência operacional.
O evento é realizado a cada três anos em Düsseldorf, na Alemanha. Entre os principais destaques desta edição, está a presença ampliada de materiais reciclados na produção de itens de visual merchandising, como displays, manequins e cabides.
Antes, a sustentabilidade aparecia de forma mais discreta. Agora, os materiais assumem protagonismo. O material reciclado não é disfarçado. Ele é evidenciado por meio de cores e texturas, para também engajar o consumidor. Fragmentos plásticos reaproveitados, blocos feitos de tecidos e até manequins em papel machê surgem como alternativas aplicadas tanto à movelaria quanto aos elementos expositivos.
Outra mudança relevante observada na EuroShop está nos revestimentos utilizados em lojas e mobiliários. Materiais tradicionalmente maciços, como superfícies minerais, passam a ser produzidos em lâminas finas aplicadas sobre estruturas de MDF e compensado, o que aumenta a versatilidade e reduz custos e complexidade de instalação.
Em vez de peças sólidas, ganham espaço lâminas que tornam a loja mais versátil e permitem personalização de superfícies. A solução amplia a flexibilidade de layout e facilita atualizações de visual sem necessidade de reformas estruturais, um ponto sensível em um varejo que busca adaptação constante.
Nos sistemas de exposição de produtos, a tendência predominante na EuroShop é a funcionalidade. Equipamentos priorizam modularidade, permitindo ampliar ou reduzir áreas de exposição, e adotam design mais limpo e discreto, com menor interferência visual sobre os produtos.
A tecnologia aparece de forma mais integrada ao mobiliário. Telas de LED em menor escala surgem mimetizadas em estantes, faces de gaveteiros e pontas de gôndolas, exibindo informações de produto sem competir visualmente com as mercadorias. O objetivo é oferecer conteúdo e comunicação sem “poluir” a experiência de compra.
A conveniência segue como eixo central das soluções apresentadas na EuroShop. Sistemas de lockers para click & collect se destacam tanto na feira quanto nas ruas de Düsseldorf. Além dos lockers tradicionais, surgem módulos multifuncionais que combinam exposição, pagamento e retirada automatizada. Esses equipamentos, semelhantes a vending machines, permitem que o consumidor visualize o produto, finalize a compra em uma tela dedicada e retire o item diretamente de um compartimento integrado ao estoque.
A solução é especialmente voltada a itens de maior valor ou que tradicionalmente ficam trancados em lojas, como bebidas premium, eletrônicos, lâminas de barbear e produtos de perfumaria.
A iluminação também evolui para além da estética. Um dos conceitos apresentados é o da “receita de luz” — combinação de diferentes temperaturas e tipos de lâmpadas para criar uma fórmula luminosa específica para cada categoria de produto. O objetivo é aumentar a durabilidade de itens perecíveis. Hortifruti, carnes, queijos e laticínios podem se beneficiar de composições de luz que reduzem impacto térmico e prolongam frescor.
A edição de 2026 da EuroShop reforça, ainda, um movimento de transformação do varejo físico em direção a ambientes mais flexíveis, tecnológicos e sustentáveis. A integração entre design, materiais e automação busca atender um consumidor mais consciente e exigente, ao mesmo tempo em que responde à necessidade de eficiência operacional das empresas.
Renato Diniz é sócio e head de Criatividade do Estúdio Jacarandá. Ele faz uma cobertura especial da EuroShop 2026 para a Mercado&Consumo.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagens: Renato Diniz















