O varejo brasileiro apresentou um crescimento de 72% no volume de ofertas em 2025, o que explica a expansão acelerada do atacarejo, o crescimento dos supermercados e a perda de espaço dos hipermercados. De acordo com uma pesquisa da Shopping Brasil, entre 2021 e 2025, o chamado Ads Share por canal mudou: atacarejo, de 14% para 33%; supermercados, de 46% para 51%; e hipermercados, de 40% para 16%.
Mais do que uma simples queda do hipermercado, o estudo aponta uma transformação física do parque de lojas, com a conversão de hipermercados em duas unidades de atacarejo no mesmo espaço, ampliando a capilaridade regional, reduzindo custos fixos e acelerando o giro. As ofertas acompanharam essa nova lógica operacional.
“Não estamos falando apenas de mais promoções, mas de uma nova lógica operacional. A oferta se tornou instrumento estratégico de gestão de fluxo, estoque, margem e tráfego”, afirma Renata Gonzalez, diretora Comercial da Shopping Brasil.
O levantamento revela a quebra da linearidade mensal das promoções, com o surgimento de novos picos e vales ao longo do ano, indicando que o varejo deixou de operar exclusivamente com base em datas clássicas e passou a reagir com maior agilidade à demanda, ajustando ofertas de forma quase contínua. Hoje, entre 35% e 70% das vendas do varejo alimentar já vêm de itens em promoção.
Redes sociais e varejo físico
A digitalização foi outro vetor determinante. A presença das ofertas nas redes sociais saltou de 6% em 2019 para 57% em 2025. Hoje, a promoção é imediata, geolocalizada e de baixo custo de distribuição.
Apesar disso, a conversão para alimentos e bebidas ainda acontece majoritariamente no ponto de venda físico, aponta o levantamento. O social funciona como gatilho, enquanto a loja permanece como o local de fechamento. A integração entre os dois ambientes tornou-se fator crítico de eficiência, segundo Renata.
O estudo também revela mudanças no sortimento promocional:
- Perecíveis atingiram pico em 2024 (35%) e ajustaram para 34% em 2025, reforçando seu papel como categoria de frequência e recorrência.
- Mercearia, incluindo bebidas, cresceu de 35% para 38%, consolidando-se como principal motor de volume.
- Duráveis recuaram de 8% para 5%, refletindo a retração do hipermercado.
- Higiene, limpeza e beleza estabilizaram em 15%.
- Bazar voltou a ganhar espaço, de 6% para 8%.
“Promoção não é mais um evento. É estratégia contínua. Quem domina Ads Share domina tráfego, recorrência e conversão”, conclui Renata.
Imagem: Envato














