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Home Foodservice

Por que Nestlé e Unilever estão separando seus negócios de sorvetes

Logística da cadeia do frio e sazonalidade impulsionam reestruturações globais no setor

Felipe Mario de Felipe Mario
24 de fevereiro de 2026
no Destaque do dia, Foodservice, Notícias
Tempo de leitura: 4 minutos
Por que Nestlé e Unilever estão separando seus negócios de sorvetes

No ultimo resultado anual divulgado pela Nestlé, a multinacional anunciou a venda operação de Sorvetes para a Froneri nos países onde isso ainda não foi feito. Em 2024, outra gigante multinacional, a Unilever também anunciou a separação do seu negócio de sorvetes. O que pode estar por trás dessas decisões?

Por trás dessas decisões está um redesenho estratégico que prioriza foco no core business e simplificação de portfólio. O mercado de sorvetes, embora relevante em receita e marcas, possui uma complexidade logística própria, a chamada “cadeia do frio”, além de uma sazonalidade que exige agilidade e investimentos muito específicos.

“Separar essas divisões permite que as operações de sorvetes ganhem autonomia na gestão, velocidade na inovação e maior eficiência na distribuição, garantindo que o negócio receba a atenção e os recursos necessários para competir em um mercado cada vez mais dinâmico”, afirma Martin Eckhardt, presidente da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete).

Para Cristina Souza, CEO da Tanjerin, esse movimento também está ligado à racionalização de ativos industriais e à alocação mais eficiente de capital. “As grandes indústrias de alimentos vêm se desfazendo de fábricas de sorvetes porque, em muitos casos, esses ativos deixaram de ser estratégicos ou eficientes dentro do portfólio. A operação de sorvetes costuma exigir alto investimento e manutenção (equipamentos específicos, utilidades e cadeia de frio), além de demandar capital que poderia ser direcionado para categorias com retorno mais previsível e menor complexidade industrial”, afirma.

Cristina acrescenta que a estrutura econômica do setor impõe desafios adicionais às indústrias, como a sazonalidade, que gera subutilização em períodos de baixa e gargalos no pico, e a volatilidade de custos (insumos, embalagens e energia), que nem sempre é repassada integralmente, comprimindo margens e aumentando o risco.

“Muitas empresas estão migrando para modelos mais asset-light, terceirizando a produção com co-manufacturers para ganhar flexibilidade de volume e mix, reduzir imobilização de capital e simplificar a operação”, destaca.

Categoria avança como negócio independente

De acordo com Eckhardt, o sorvete vem se consolidando como uma categoria autônoma e de alto valor agregado, e não apenas como um “braço” de grandes conglomerados de alimentos diversificados. 

“Isso pode gerar um mercado mais competitivo, com maior diversidade de produtos e novas frentes de investimento em sustentabilidade e saudabilidade. Para o setor no Brasil, esse movimento reforça a importância da nossa indústria como um pilar estratégico do varejo de alimentos, mostrando que o sorvete é um negócio robusto o suficiente para caminhar com as próprias pernas”, destaca.

Consumo no Brasil

A pesquisa da Abrasorvete revelou que o consumo médio anual de picolé no Brasil é de 3,19 litros por pessoa, ou cerca de 45 unidades por ano. Já o sorvete de massa registra consumo médio de 5,94 litros anuais. Considerando todos os formatos, o estudo indica consumo total de 9,1 litros de sorvete por pessoa ao ano.

As regiões que mais consomem sorvete são:

  • São Paulo: 20%
  • Minas Gerais: 9,87%
  • Rio de Janeiro: 9,73%

Segundo o levantamento, 25,20% dos consumidores têm entre 25 e 34 anos, indicando que o sorvete é consumido por diversas faixas etárias. O formato mais popular é o sorvete de massa, com 73,47% de preferência, seguido por picolé, com 13,20%, e soft (casquinhas de fast food), com 10,93%.

Os principais motivos para o consumo de sorvete são sobremesa, para 64,40% dos consumidores; durante passeios, para 60,27%; e como lanche, para 21,20%. Além disso, 66,53% afirmam que o clima influencia a decisão de compra, enquanto 33,47% não consideram a temperatura.

Quanto aos locais de compra, as sorveterias lideram, com 69,6%, seguidas pelos supermercados, com 54,8%, e por cafeterias, geladeiras e restaurantes e cafés, com 28,13%.

Eckhardt explica que o mercado brasileiro de sorvetes tem mostrado maior resiliência e amadurecimento, deixando de ser um País que consome sorvete apenas como sobremesa de verão para incorporá-lo como um alimento de indulgência ao longo de todo o ano.

“Quando grandes players decidem dar independência às suas unidades de sorvete, é um sinal de que enxergam o potencial de expansão e rentabilidade do setor no Brasil, que ainda tem uma margem de crescimento de consumo per capita muito grande em comparação a outros países”, completa.

Imagem: Envato

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