Com a onda da saudabilidade, a venda de canetas emagrecedoras e a busca por experiências, as empresas de foodservice têm a tarefa árdua de se reinventar e criar novas formas de atrair o consumidor. O desafio é grande. Segundo uma pesquisa apresentada por Eduardo Yamashita, CEO da Gouvêa Inteligência, apesar do faturamento recorde de R$ 223,5 bilhões registrado em 2025, o setor ainda não conseguiu recuperar o movimento do período pré-pandemia.
Esse desafio foi debatido no Connection Foodservice Day, evento da Mercado&Consumo realizado nesta terça-feira, 23, na sede do iFood, em Osasco. O painel “Soluções de foodservice fora da caixa”, mediado por Yamashita, contou com a participação de Bruno Gorodicht, cofundador e conselheiro do Grupo Impettus; Mariana Fragoso, CEO da Capim Santo; e Elio França, chief business unit D2C da Bauducco.
“A gente vai falar sobre soluções fora da caixa, ou como podemos expandir a produção em um segmento de serviços mais próximo dos consumidores, no nível, entre aspas, do modelo tradicional de abertura de loja, como sempre fizemos, utilizando o mesmo formato ou variações desse mesmo formato”, explica Yamashita.

As canetas emagrecedoras são um dos assuntos mais comentados e vêm sendo tema de debate sobre quais serão seus impactos no consumo. Entre 2010 e 2024, o aumento das prescrições de medicamentos GLP-1 cresceu 30%, geralmente para fins cosméticos e estéticos, nos Estados Unidos, por exemplo. Até 2030, os usuários das canetas serão responsáveis por 35% das vendas de alimentos e bebidas. Adaptar-se a essa parcela de consumidores deve ser uma das grandes missões do foodservice nos próximos anos.
Na visão de Gorodicht, a onda das canetas emagrecedoras está “fazendo mais barulho do que efetivamente está impactando as operações”. Mas, segundo ele, futuramente elas deverão ter efeitos mais relevantes sobre o setor. “O dado que eu vi recentemente é que 3,6% da população está tomando, e até 20% já teve acesso. Quer dizer, muita gente no Brasil já teve acesso a isso. E, obviamente, isso vai mexer, já está mexendo [com o mercado]”, esclarece Gorodicht.
Mariana, da Capim Santo, vê a questão das canetas emagrecedoras como algo superestimado, pois a ida ao restaurante vai muito além de uma simples refeição; o consumidor busca uma experiência além da alimentação.
“Acho que a gente tem que ter atenção, tem que olhar, mas não pode esquecer que as pessoas vão a restaurantes e comem também pela troca, pela experiência”, explica.
Ao mesmo tempo em que acendem um alerta, as canetas emagrecedoras representam uma oportunidade para as empresas de foodservice diante dos hábitos cada vez mais saudáveis dos consumidores. “O nosso grande desafio é que a gente não vai transformar a indulgência em um produto hiper saudável, fazer essa indulgência valer muito a pena”, afirma França.
Retenção de talentos
Há algum tempo, o foodservice está entre os setores que enfrentam dificuldades para recrutar e reter talentos, com 70% dos empregos em restaurantes sendo temporários. Mas, de acordo com Mariana, os restaurantes são justamente os lugares onde todos querem estar.
“A gente está enfrentando a dificuldade, no regime CLT, de reter pessoas no nosso dia a dia. Mas, nos restaurantes e em eventos, por outro lado, é onde todo mundo quer estar. Como que a gente faz? Como que a gente seleciona essas pessoas? E quanto mais evento, mais você consegue selecionar, mais você consegue ter essa lista de pessoas que querem trabalhar com você”, destaca.
França reforça que um dos empecilhos para a retenção é que muitas pessoas hoje não querem trabalhar sob o regime CLT. “Hoje, as pessoas não querem ser CLT e, ao mesmo tempo, você é obrigado a contratá-las como CLT. Você tem uma dificuldade na contratação, na qualificação, investe em treinamento e, muito pouco tempo depois, já não tem mais a pessoa. É difícil lidar com isso”, diz.
Imagens: Envato e Mercado&Consumo














