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Home Artigos

Como estimular um mindset digital no seu negócio com foco em resultados?

O que o mercado de varejo brasileiro pode aprender com a rede australiana Woolworths Group

Roberta Andrade de Roberta Andrade
26 de junho de 2025
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 5 minutos
Como estimular um mindset digital no seu negócio com foco em resultados?

O consumidor mudou. Os hábitos digitais hoje atravessam todas as esferas da vida, da forma como nos deslocamos à maneira como nos alimentamos, ouvimos música ou fazemos compras. No varejo, essa transformação não é mais opcional — é uma exigência do cliente, do mercado e da competitividade. E a pergunta que não quer calar é: como construir um mindset digital nos times comerciais sem perder o foco em resultados? Ter esse mindset digital significa utilizar melhor os recursos digitais para se tornar mais produtivo, rentável e ágil nos processos de decisão, nas formas de trabalho, na entrega da experiência do cliente e, consequentemente, trazer resultados mais saudáveis e perenes para a empresa.

Para ilustrar um pouco essa jornada de transformação do mindset digital e implementação no seu negócio, vou compartilhar os principais aprendizados da Woolworths Supermarket, maior grupo de supermercados da Austrália, que também conta com lojas de departamento e de conveniência dentro do mesmo grupo, e como eles podem inspirar o varejo brasileiro a transformar sua força de vendas para ganhar produtividade, relevância e competitividade, independentemente dos canais de vendas em que você atue, deseje expandir ou melhor integrar na sua companhia.

Tomo principalmente a atuação de times comerciais, sejam seus times de compras, distribuição ou canais de vendas diretos para o cliente final. Outros setores da empresa também precisam desenvolver esse mindset digital, de forma que essa forma de pensar, agir e operar faça parte da cultura da empresa. Entretanto, quando se trata dos times comerciais, em seus mais diferentes formatos e canais, essa necessidade se faz ainda mais urgente, uma vez que a cultura do digital já está na palma da mão do mercado de varejo e consumo, a um clique de distância. Então, por onde começar?

A transformação começa com um diagnóstico realista

A jornada digital não começa pela tecnologia, mas pela consciência do momento atual da empresa. A Woolworths mapeou seus principais gargalos operacionais e comerciais antes de iniciar qualquer mudança.

No Brasil, muitas empresas ainda confundem transformação digital com simplesmente abrir novos canais ou adotar um sistema. O ponto de partida deve ser um mergulho no dia a dia do time comercial: quais ferramentas usam, como tomam decisões, como priorizam tarefas e como atendem o cliente.

Upskilling e reskilling sustentam qualquer avanço tecnológico

A Woolworths investiu A$ 50 milhões de dólares australianos em três anos para formar suas equipes em temas como automação, análise de dados, atendimento avançado e metodologias ágeis. Mais de 60 mil colaboradores foram capacitados nesses temas.

No Brasil, ainda é comum esperar que a tecnologia resolva os problemas sozinha, mas a produtividade real vem da combinação entre dados, automação e pessoas capacitadas a agir com autonomia.

Um dado curioso: o cargo que mais cresceu na Woolworths foi o de personal shopper, que passou a atuar em parceria com as ferramentas para a entrega de uma experiência mais completa, com foco em serviços aos clientes, mostrando que, mesmo com a IA e a automação, o toque humano ainda é um diferencial competitivo.

Digital não é uma área: é um pensamento aplicado ao negócio

A Woolworths integrou o digital à sua estratégia comercial com iniciativas como:

  • Marketplace com catálogo inteligente por geolocalização;
  • Assistente virtual que ajuda o cliente a localizar ofertas;
  • Receitas com “1 clique para adicionar ao carrinho”;
  • Operação logística com microfulfillment;
  • Lançamento do primeiro carrinho digital da Austrália (Scan & Go Trolley).

Essas iniciativas foram possíveis porque a cultura digital estava no centro da estratégia, com dados conectando áreas, canais e decisões. Confira, no vídeo a seguir, como funciona na prática o microfulfillment do Woolworths Supermarket:

Youtube video

O cliente está no centro, de verdade

A omnicanalidade foi colocada em prática: plataformas integradas, personalização baseada em comportamento e múltiplas opções de entrega. O cliente passou a ter controle total da jornada, inclusive sobre o quanto gasta, com acompanhamento em tempo real via carrinhos digitais.

Além disso, mesmo com tantos recursos digitais, a Woolworths revalorizou o ponto de venda físico, com foco em experiência sensorial, degustações e exposição atrativa de produtos perecíveis. Isso mostra que, mesmo com a tecnologia, a experiência presencial não perdeu seu valor — ela apenas evoluiu.

Resultado concreto: mais vendas, menos perdas e mais eficiência

A estratégia deu retorno:

  • Crescimento de 3,2% no faturamento geral, alcançando o patamar de A$ 17,31 bilhões em 2024;
  • Crescimento de 5,7% nas vendas online, com resultado A$ 2,2 bilhões nesse mesmo ano;
  • 40% de redução nas perdas;
  • Aumento de 21% de produtividade dos times comerciais;
  • 22,7 milhões de visitas semanais às plataformas digitais.

Esses números mostram que digital e resultado não são opostos. Quando o digital é bem aplicado, ele acelera o desempenho.

Com esses principais aprendizados, o que o varejo brasileiro pode fazer a partir de agora?

  • Mapear o estágio atual da cultura digital comercial;
  • Treinar os times para interpretar dados e usar ferramentas;
  • Automatizar tarefas repetitivas para liberar tempo para vender;
  • Unificar canais em uma jornada fluida para o cliente;
  • Medir o impacto das ações com indicadores tangíveis.

Digital não é sobre ferramenta. É sobre mentalidade, estratégia e execução.

As empresas que colocarem o cliente no centro, capacitarem seus times e usarem dados para decidir, e não só para registrar, estarão mais preparadas para crescer em qualquer cenário

Roberta Andrade é diretora de Educação Corporativa e sócia da Friedman e da Gonow1.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo

Imagem: Reprodução Woolworths

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Roberta Andrade

Roberta Andrade é diretora-executiva da Friedman by Gouvêa Ecosystem. Desenvolve pessoas há mais de 10 anos, gerando aumento de produtividade, performance, processos e resultados por meio de múltiplos canais em empresas dos mais diversos segmentos na indústria, distribuição, atacado, varejo e serviços.

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