O Banco Central decretou nesta sexta-feira, 26, a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos DTVM, suspeita de envolvimento no ecossistema do Banco Master. Segundo o ato oficial, a empresa foi liquidada pelo grave comprometimento da sua situação econômico-financeira, que sujeitou credores quirografários a risco anormal, bem como por “graves violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição”.
A Sefer foi alvo da segunda fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga as fraudes relacionadas ao Master. O dono da instituição, Benjamin Botelho de Almeida, é suspeito de ter atuado como operador financeiro do dono do Master, Daniel Vorcaro, e agido como uma espécie de “cérebro” por trás da complexa teia de fundos de investimentos e de compra e venda de títulos podres.
O BC determinou a indisponibilidade dos bens de Botelho nesta sexta-feira, como parte do processo de liquidação. Quatro empresas que aparecem como controladoras da Sefer também ficaram com bens indisponíveis: Sefer Participações em Instituições Financeiras Ltda., Seferpar Participações e Investimentos S.A., Brazilpar Investments LLC e Lyon Investments LLC.
Outros 12 administradores e ex-administradores também tiveram a indisponibilidade dos bens decretada: Alan Dain Gandelman, Ana Cristina Guerreiro Bezerra, Antonio José Gonçalves Mota, Beniamino Gaiofatto, Daniel dos Santos Nascimento, Diego Gomes Ferreira, Fernanda Silva Herrera, Fernando Daruj Torres, Jason Cristiano Cardoso Lima, Ricardo Veles, Roberto Eduardo Ferranty Mac Lennan e Talitha Angelo da Silva.
O auditor aposentado do BC Edison Benedito Alexandre foi nomeado liquidante da Sefer. Antes, ele já trabalhou na liquidação da Companhia Hipotecária Brasileira (CHB).
Segundo o BC, a Sefer está enquadrada no S4 da regulação prudencial, com menos de 0,0004% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e 0,17% do total de recursos administrados de terceiros.
Liquidação do Master
O Banco Central reafirma no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) que a liquidação extrajudicial do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional (SFN). O documento refere-se ao segundo semestre do ano passado.
“Os mecanismos de proteção associados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foram acionados conforme o modelo institucional vigente, evidenciando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro”, diz a autoridade monetária.
O BC observa que, após a liquidação, os clientes ressarcidos pelo FGC direcionaram recursos principalmente para instituições financeiras de maior porte e de maior relevância sistêmica, em linha com o esperado em eventos de resolução bancária.
Também destaca que “a crise pontual com o conglomerado Master não gerou impacto relevante nas taxas praticadas em instrumentos garantidos pelo FGC”.
Emenda que a manutenção do amplo acesso das instituições financeiras ao mercado de captações reforça a confiança dos depositantes na higidez do SFN.
No REF, o BC também avalia que não há risco relevante para a estabilidade financeira. Diz que o SFN segue com capitalização e liquidez confortáveis, e provisões adequadas ao nível de perdas esperadas. “Além disso, os testes de estresse de capital e de liquidez demonstram a robustez do sistema bancário”, afirma.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Cícero Cotrim).
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