Ações afirmativas são necessárias e urgentes para ampliar a diversidade e inclusão

Incentivo à equidade foi tema do Connection Foodservice, festival que apresenta os principais insights e aprendizados da NRA Show 2023

Ainda distante de atingir a diversidade, o setor de foodservice tem investido em cursos profissionalizantes para promover a inclusão e mudar a estrutura atual. Esse foi um dos temas abordados no Connection Foodservice, festival que apresenta os principais insights e aprendizados das visitas técnicas e palestras vistas na NRA Show 2023, um dos mais importantes eventos do setor.

Um exemplo desses projetos é o Gerando Baristas, realizado pela marca Da Vinci Gourmet, da Kerry, e idealizado por Ludmilla Milhomem, commercial manager da empresa no Brasil e no Cone Sul. O projeto é feito em parceria com a Gerando Falcões e visa a formação básica de barista para de jovens carentes, em sua maioria negros e moradores de favela.

A ideia de investir num curso que abrisse portas para jovens carentes veio após Ludmilla encontrar um garoto de 16 anos trabalhando como engraxate no aeroporto. “Pensei em como poderia ajudá-lo e perguntei se ele toparia fazer um curso para sair daquela vida”, conta.

A Kerry financiou o projeto por meio do fundo MyCommunity, que a empresa mantém no mundo todo. Antes de iniciarem o treinamento, porém, os jovens passam por um trabalho psicossocial e, ao final, são encaminhados para empresas que buscam um barista para trabalhar.

O trabalho, no entanto, não é tão simples assim. Hoje, 50% dos jovens estão empregados. Ludmilla conta que ainda há muito preconceito e é preciso promover uma conscientização entre as redes.

“Ações afirmativas são urgentes e necessárias para que a gente possa gerar uma consciência e mudar a estrutura. Achava que seria simples empregar esse jovem, mas uma parte dos operadores de food não tem essa consciência. Estamos fazendo vários fóruns e chamando os RHs para promover essa conscientização”, afirma.

Transformação social

Outro projeto que busca a transformação social através da gastronomia é o Mobiliza Jaguaré, criado pela chef de cozinha Urideia Andrade, do restaurante Flor de Mandacaru, que também teve sua primeira oportunidade na profissão através de um projeto social dentro da comunidade.

“Há 22 anos, quando cheguei no Nordeste, na favela do Jaguaré, através de um projeto social, pude transformar a minha realidade e descobrir que podia sonhar”, lembra Urideia, que passou por renomados restaurantes como o Tordesilhas, Fasano e Charlô, antes de fundar o Flor de Mandacaru.

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Na pandemia, com as portas fechadas, Urideia recebeu um pedido de ajuda de uma moradora que estava passando necessidade com seus filhos. Fez uma cesta básica e passou a buscar doações para novas famílias. Esse foi o início do Mobiliza Jaguaré, que já alimentou mais de 130 mil pessoas.

O poder das mulheres

Com 52% da presença na força de trabalho no setor de foodservice, as mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança. E esse cenário está longe de mudar. Para Vanessa Sandrini, diretora de varejo do JHSF/Fasano, apesar de investirem 2% do faturamento em inovação, as empresas não investem em diversidade, que é uma das formas das empresas inovarem e ampliarem os olhares sobre diversas questões.

Vanessa destaca que aumentar a diversidade e inclusão faz parte da reputação da empresa. Uma empresa que se preocupe em como é vista no mercado. O conselho de administração é onde as estratégias são desenhadas. Não existe caminho menos custoso que seja a diversidade.

“Na reputação, estou blindando a marca que vou construir, a identidade que vou preservar e como quero ser reconhecido”, diz.

Ex-diretora de treinamento do McDonald’s e da Apple, a hoje conselheira de empresas Iris Pereira Barbosa Barreira falou sobre a necessidade de ampliar a liderança feminina nas empresas e conselhos.

“Quando decidi deixar o corporativo, pensei em ajudar na diversidade e inclusão. O conselho é onde as estratégias são definidas. Não está bom. Praticamente não tem nem como medir o número de brasileiras nos conselhos”, diz.

Para isso, Iris destaca a importância de as empresas investirem em pessoas com potencial e ajudá-las a se desenvolver. “É preciso investir em pessoas que estão no topo. Se não, vamos esperar mais 100 anos para ter igualdade de gênero e raça”, diz.

Imagem: Maurício Hitai

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