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Home Artigos

Novo Normal? Talvez um museu de grandes novidades

Camila Gracioli de Camila Gracioli
4 de agosto de 2020
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 6 minutos
Novo Normal - Talvez um museu de grandes novidades

Constantemente, no mundo corporativo, somos colocados à prova, expostos a desafios que, muitas vezes, nos dão frio na barriga e ansiedade por saber se chegaremos do outro lado, se seremos aprovados, se teremos êxito.

Nada distante, mas as vezes um tanto escondida, está a realidade do nosso dia-a-dia para todas as outras relações que estabelecemos, tanto com a família, com os amigos, com os profissionais dos serviços que usamos quanto com as coisas que compramos ou consumimos.

E o que tudo isso tem a ver com o momento de pandemia que estamos vivendo!? O ser humano, em sua incrível complexidade, foi exposto a uma overdose de provações, constantes e de diversas proporções, em todas as esferas do dia-a-dia e também dos pilares estruturais da nossa vida.

Considerando os componentes que nos definem como seres pensantes, como a personalidade, a formação da identidade, a capacidade de dominar nossos instintos, a tomada de consciência para aprendizados e evolução, podemos experienciar a potência que tem a inteligência emocional, a sensibilidade ao ambiente e a capacidade de empatia, afeto e amor ao próximo… o orçamento das famílias, o resultado e a produtividade das empresas, a economia dos países e a riqueza do mundo inteiro foram diretamente afetados pela fragilidade do sistema em que estamos inseridos.

Os líderes de negócios estão sujeitos agora, inevitavelmente, à confiança nas pessoas. Confiança para cumprimento de tarefas, confiança para o equilíbrio nos horários e jornada de trabalho e confiança na produtividade para cumprimento de metas e resultados acordados.

Em entrevista para o portal Meio&Mensagem, Leonardo Berto, gerente de recrutamento da consultoria Robert Half comenta que o trabalho remoto, o home office, de maneira estendida, que apresenta grandes chances de durar após o fim do distanciamento social, exige a adoção de novas ferramentas e o aprimoramento de metodologias de gestão. Sejam novas formas de conduzir a governança empresarial, adoção de metodologias ágeis nas estruturas de projetos ou a dinâmica da gestão do dia-a-dia dos negócios e dos times, estamos diante de um tema elementar: o COMPORTAMENTO DO SER HUMANO.

No sentido de que o óbvio deve ser sempre ressaltado, existem algumas boas práticas, que podem ser amplamente difundidas e intensamente praticadas e aprimoradas para amenizar os efeitos negativos desta pandemia. São exercícios constantes que, como seres pensantes em incessante tomada de consciência e busca por evolução, podemos adotar para essa nova fase de jornada:

1 – Ressignificação de tempo e indicadores: estamos diariamente adaptando o tempo de dedicação para cada atividade – quantas horas devo dedicar para meu time, quanto tempo devo dedicar para meus clientes, quanto tempo devo dedicar a mim mesmo, quanto tempo devo dedicar a minha família. Esse novo encaixe das engrenagens exige que acompanhemos novos drivers e indicadores, sendo ai essencial que tenhamos clareza na comunicação, flexibilidade para alocar os melhores recursos para cada necessidade e o mais importante neste tema: DADOS são extremamente determinantes para dar qualidade e consistência para as relações remotas;

2 – Menos feeling e mais dados na gestão de Pequenas e Médias Empresas: dando continuidade ao tópico anterior, é questão de sobrevivência (para os que até agora conseguiram administrar os impactos da crise) que as pequenas e médias empresas implementem ou reforcem a cultura de dados no dia-a-dia. Para este tema é importante ressaltar que não apenas é necessário definir indicadores e rotina de coleta e análise de dados, mas estabelecer uma CULTURA focada em dados, porque só assim os resultados são claros e fiéis, só assim os liderem conseguem tomar decisões ágeis e direcionadas para resultado;

3 – Home office sai da pauta do RH e entra na do Financeiro: antes da pandemia, muitos líderes abordavam o tema do home office como um tabu – ou era um mega benefício ou era proibido, por ser classificado como improdutivo. Com a necessidade do distanciamento social, as equipes foram obrigadas a se afastarem fisicamente, os líderes a liderar remotamente e os resultados a serem entregues de longe. Depois de quase meio ano vivendo e trabalhando no distanciamento, foi possível ter clareza no nível de engajamento, capacidade de produção e potência de PRODUTIVIDADE que cada um tem individualmente e como grupo, de maneira remota. Isso otimiza recursos financeiros, tempo cronológico e disposição e qualidade de vida!;

4 – Mais proximidade entre os times, apesar da distância: eu, particularmente, sentia que o home office traria distância nas relações, mas, particularmente também, estou muito mais próxima do meu time do que antes da pandemia. Antes da pandemia, talvez focássemos tanto na “nossa caixinha”, que esquecíamos de olhar para o lado, olhar para o outro, sentir a necessidade da minha família, olhar para meu cliente, me conectar com ele e reconhecer o que ele precisa e como posso ser SOLUÇÃO para as suas questões, para as minhas reais questões também! Quando conseguimos limpar o para-brisa e enxergar de maneira nítida que não estou sozinho, tem gente com quem posso contar e tem gente que conta comigo, as relações fluem mais naturalmente, os nós se desfazem com a DOSE ADEQUADA de energia e os resultados aparecem;

5 – Saúde e bem-estar em pauta: este tema, para o que tenho experienciado, é o mais relevante. Para todas as atividades do nosso dia-a-dia de trabalho, para nossos projetos pessoais e de negócios, para nossas aspirações de vida e para nossas relações pessoais, precisamos de DISPOSIÇÃO, de ENERGIA VITAL, de ENERGIA CRIATIVA. Para despertar a fonte disso tudo, que nos permite caminhar, pensar, criar e aprimorar nosso intelecto e nossos resultados, é essencial uma vida saudável e com paz no coração. Falar disso no mundo corporativo, principalmente antes da pandemia, era um tema bastante restrito ou então de fachada. Agora é a hora: o ser humano, nestes momentos de reclusão, de interiorização e altíssima pressão por resultados e atendimento às necessidades de clientes, sejam internos ou externos, precisa se cuidar antes de produzir. Nossa atenção e produtividade estão diretamente relacionadas a nossa capacidade de nos manter em equilíbrio;

6 – Adaptação a novas ferramentas digitais: se já era uma tendência, agora adotar tecnologias ágeis é vital. Não existem mais barreiras entre gerações de pessoas, entre pequenas e grandes empresas, entre segmentos e atividades de negócios. Todo mundo já está na cena digital. O processo de transformação digital, de digitalização de ambientes, sejam eles a nossa residência, sejam eles um parque fabril, um escritório com processos administrativo ou um ponto de vendas e atendimento, já está acontecendo. A implementação de ferramentas digitais é essencial, mas ainda mais importante que isso é a FORMA DE APLICAÇÃO e o ACULTURAMENTO das pessoas com relação às tecnologias digitais. De novo, trabalhar o comportamento dos seres humanos diante das mudanças é o que determinará o bom resultado de um grupo;

7 – Soft Skills ganham ainda mais destaque: já fui muito chamada de “abraçadora de árvores”, por trazer sempre a escuta generosa, o afeto e o não julgamento para as relações de trabalho. Mas a cada dia, vivendo intensamente esta pandemia, invariavelmente sentimos o quanto é essencial nos COMUNICAR com clareza, olhar para as necessidades dos grupos com que me relaciono, sejam na minha casa ou com meus clientes, e reconhecer como posso ser um driver acelerador de bons resultados e um agente de transformação aonde quer que eu atue;

8 – Mudança na relação entre empresas e clientes no B2B: o ser humano é relacional. Instituições Educacionais são compostas por pessoas para desenvolver o conhecimento de pessoas. Governos são estabelecidos por pessoas para coordenarem recursos para pessoas. Indústrias são compostas por pessoas que produzem coisas para pessoas consumirem. Serviços são prestados por pessoas para satisfazerem necessidades de outras pessoas. Pontos de venda são compostos por pessoas que atendem e vendem para outras pessoas. Nesta realidade de crise, com o distanciamento social, vemos o quanto esta característica do ser humano é latente e inquestionável. Cuidemos das PESSOAS em todos os espectros da vida: emocional, física, espiritual, monetária, psíquica, ecológica, social ou intelectualmente. As famílias dependem disso. Os negócios dependem disso. As economias dos países dependem disso. O mundo depende disso!

O ser humano, diariamente, se relaciona com diversos interlocutores e de maneira bilateral, cada um com uma necessidade, uma expectativa, uma projeção.

“Prontos” ou não, devemos, cada um de nós, reconhecer as ferramentas e maneiras mais adequadas e saudáveis para lidar com as novas exigências destes relacionamentos: eu comigo mesmo, eu com meu time, eu com meus clientes, eu com minha família, eu com meus sócios, eu com meus amigos. Lembrando que cada relação existe um nível de dedicação, de tempo cronológico, de disposição, de conhecimento. Tudo em nossa vida é energia!

O que estou fazendo para recarregar minha energia?

Para onde tenho direcionado a energia que gasto dia após dia?

As pessoas com que me relaciono, sejam meus clientes, seja minha família, está sentindo minha energia com que intensidade e positividade?

Quanto tenho dado de atenção às necessidades dos meus clientes e da minha família? E as minhas?

Como priorizo o meu gasto de energia e a energia da minha equipe na condução de projetos vinculados a metas estratégicas, sejam elas pessoais ou profissionais?

Ficam ai alguns questionamentos para que possamos sempre seguir na trilha da tomada de consciência e na busca por evolução das nossas relações e de nossos resultados.

Se quiserem bater mais papo, trocar algumas ideias, podem nos acionar através das nossas redes sociais:
Contato Gouvêa Consulting!

* Imagem reprodução

 

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Camila Gracioli

Camila Gracioli é economista, consultora e gerente de Projetos na Gouvêa Consulting, empresa de consultoria do ecossistema da Gouvêa que atua na transformação de negócios associados ao varejo e consumo.

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