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O consumidor não escolhe mais lojas, escolhe missões de compra

  • de Caio Camargo
  • 4 minutos atrás
Estudo revela que 75% dos brasileiros usam apps para fazer compras no supermercado

Durante muito tempo, a pergunta do varejo alimentar era: para onde vai o consumidor?

Hoje, talvez a pergunta seja outra: qual missão de compra ele precisa resolver?

O consumidor não abandonou o mercadinho, o supermercado, o atacarejo, o empório ou o aplicativo. Ele passou a usar cada um desses canais de acordo com o momento, o bolso, o tempo disponível e o tipo de necessidade.

Vai ao mercadinho quando precisa de proximidade real. É a compra a pé, do pão, do leite, do item esquecido, da bebida gelada, da conversa rápida e do atendimento conhecido.

Em muitas praças, o pequeno mercado segue forte porque conhece o cliente pelo nome, oferece confiança, empatia e, em alguns casos, até o fiado. O produto pode ser encontrado em outros lugares. A diferença está na relação.

Vai ao aplicativo quando quer velocidade. Nesse caso, não é o consumidor que vai até a loja. É a loja que vai até o consumidor. Ele sabe que o produto pode não estar perto, mas se chega em poucos minutos, a distância perde importância. A proximidade deixa de ser apenas geográfica e passa a ser percebida pelo tempo.

Vai ao atacarejo quando busca preço. É a compra de carro, planejada, de volume, do porta-malas cheio e da sensação de economia.

Em um país de renda pressionada, preço não é apenas argumento comercial. É condição de escolha. Mas o próprio avanço do formato trouxe mais disputa, mais pressão de margem e a necessidade de vender muito com máxima eficiência.

Ao mesmo tempo, parte do atacarejo começa a adicionar serviços, categorias, alimentação pronta, farmácia, meios de pagamento, marca própria e conveniência. O formato que cresceu tomando espaço do hipermercado começa, aos poucos, a incorporar elementos que lembram o hipermercado do passado.

A diferença é que agora o consumidor cobra mais clareza. Ele não quer uma loja grande apenas porque ela é grande. Quer que cada metro quadrado resolva algo.

Também há espaço para empórios e modelos especializados. Quando tudo pode ser encontrado em qualquer lugar, escolher bem pelo cliente vira serviço. Curadoria, frescor, origem, qualidade e confiança passam a justificar preço e preferência.

O conceito do bairro de 15 minutos ajuda a entender esse movimento, mas talvez precise ser ampliado. Existe o bairro de 15 minutos a pé, onde a proximidade física decide.

Existe o bairro de 15 minutos por entrega, onde o produto não está perto, mas chega rápido. Existe o bairro de 15 minutos de carro, onde o consumidor aceita se deslocar para ganhar em preço e volume.

E existe o bairro de 15 minutos de decisão, onde a marca precisa ser lembrada antes mesmo da busca começar.

A disputa, portanto, não é mais apenas entre formatos. É entre razões de escolha.

Quando quer preço, o consumidor tolera deslocamento. Quando quer urgência, aceita pagar mais. Quando quer qualidade, compra menos e escolhe melhor.

Quando quer relação, valoriza quem o reconhece. Quando quer rotina simples, escolhe quem remove atrito.

O caminho do meio ficou perigoso. Quem não é o mais barato, nem o mais perto, nem o mais rápido, nem o mais confiável, nem o mais especializado, nem cria vínculo emocional relevante, começa a ficar espremido.

A pergunta para o varejista não é apenas onde o consumidor vai comprar.

A pergunta é mais dura: em qual missão de compra você ainda é a melhor resposta?

O consumidor continua indo às compras. Só que agora ele vai para onde faz mais sentido.

Imagem:

  • Categories: Artigos, Destaque do dia, Foodservice
  • Tags: alimentação prontaaplicativos de entregaatacarejobairro de 15 minutoscanais de vendacomportamento do consumidorconsumo localconveniênciacuradoria de produtosdecisão de compraDeliveryeficiência operacionalempóriosestratégia de varejoExperiência do clientefidelizaçãohábitos de consumohipermercadosjornada de compramarcas própriasmercadinho de bairromissão de compraomnicanalidadepreçorelacionamento com o clientesupermercadosvarejo alimentarVarejo Brasileirovarejo de proximidadevarejo especializado

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