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Home Artigos

O novo consumo do foodservice: como crescer em 2026

Eduardo Bueno de Eduardo Bueno
11 de fevereiro de 2026
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 5 minutos
foodservice

O foodservice brasileiro terminou 2025 mostrando desafios já conhecidos e diferentes janelas de oportunidade. O setor atingiu o patamar recorde de R$ 223,5 bilhões gastos pelos consumidores em diferentes canais, ocasiões e categorias, com crescimento discreto de 1% em relação a 2024. Com queda de 5% no último ano, o tráfego somou 10,8 bilhões de pedidos e segue como principal desafio. Já o ticket médio alcançou um novo patamar, chegando a R$ 20,7, valor 6% superior ao registrado em 2024.

Com os novos hábitos e comportamentos do consumidor, após a pandemia, o tráfego mostra moderação em sua performance. A isso se somam fatores que ainda impactam o poder de compra da população.

Apesar da inflação mais controlada, taxa de desocupação em patamares baixos e rendimento médio real em níveis recordes, o alto endividamento e a inadimplência em patamares recordes ajudam a explicar a moderação do consumo, mas não são os únicos fatores. O avanço de gastos com apostas, o uso de medicamentos à base de GLP-1 e a maior presença das marmitas na rotina das pessoas também  contribuem para a redução do consumo em foodservice. É um cenário complexo, influenciado por diferentes frentes.

De acordo com os dados da pesquisa Crest, conduzida pela Gouvêa Inteligência desde 2015, a frequência mensal de consumo reduziu entre 2024 e 2025, indicando que os consumidores passaram a comer fora de casa com menos regularidade. No mesmo período, canais como padarias, lanchonetes e ambulantes registraram quedas significativas no fluxo, o que indica uma redução nas compras por impulso e nas paradas do dia a dia no foodservice brasileiro.

Ao mesmo tempo, o fluxo de visitas aumentou em restaurantes sofisticados, casual dining e hotéis; ou seja, os consumidores têm buscado cada vez mais o consumo de experiência, que é usualmente mais caro e de menor frequência.

Em 2025, durante a participação na NRA Show, evento global realizado anualmente em Chicago, foi possível observar o avanço do consumo premium e como marcas passaram a se destacar ao investir em produtos de maior qualidade.

No geral, nenhuma ocasião de consumo cresceu em 2025, com destaque para as quedas de tráfego nas refeições matinais e horário de almoço, períodos fortemente ligados à rotina de trabalho e que perderam força ao longo do ano.

Por outro lado, refeições vespertinas e noturnas mostraram resiliência, indicando que o consumidor está desenvolvendo um comportamento de consumo diferente, renunciando ao consumo frequente do dia a dia, economizando no café da manhã, levando marmita no almoço, mas ainda recorrendo às pausas da tarde e a um jantar mais prático. É um cenário factível, carregado de nuances e múltiplas variações.

Como os operadores podem capturar novas oportunidades em meio a esse novo padrão de consumo? Abaixo, convido o leitor a uma reflexão sobre possíveis caminhos. Não são únicos, tampouco excludentes entre si. Terão por base apenas um exemplo, para instigar um raciocínio mais crítico sobre diferentes possibilidades.

Novos formatos de consumo

Durante nossa viagem a Chicago, visitamos o The Fresh Market, que tem operado sob o formato de grocerant. Além de supermercado, tem uma forte operação de foodservice, que responde por 25% das transações da loja visitada.

O operador consegue capturar e oferecer múltiplas alternativas de consumo para as pessoas, que podem visitar o mercado para abastecerem suas residências, e adquirir uma refeição pronta e fresca para consumo imediato em suas casas. Ou seja, uma necessidade (compras para a casa) levou a uma oportunidade (comprar uma refeição prática), entregando conveniência.

Preços competitivos e promoções

Ainda que tenha havido forte crescimento dos canais relacionados à experiência, super e hipermercados tiveram um desempenho de tráfego robusta em 2025. É um canal de ticket mais baixo (portanto, competitivo), com múltiplas ofertas de refeições prontas e práticas em suas gôndolas, cafés e restaurantes, atendendo aos diferentes momentos do dia a dia do consumidor. Aproveitando o exemplo do The Fresh Market, os preços das refeições prontas eram bastante atrativos, com porções de pratos elaborados que serviam facilmente duas pessoas por até US$ 30.

Entender qual é o diferencial competitivo de sua oferta

Seja qualidade, pelo preço ou pela disponibilidade, no ponto de venda, no delivery, como o produto de um operador pode se destacar em meio à concorrência, de modo a atrair o consumidor? Entender o cenário competitivo também é importante. No caso do The Fresh Market, por exemplo, um supermercado de bairro passou a concorrer diretamente com restaurantes, estejam eles no subúrbio ou na região central. O consumidor pode optar por não comer fora no centro da cidade e, em vez disso, comprar uma refeição pronta perto de casa. A competição vai além do óbvio ou da concorrência direta.

Ao leitor atento, provoco a seguinte reflexão: um estabelecimento serviu para três exemplos distintos, mas complementares. Como sua operação busca atender esse novo consumidor?

O padrão de consumo no foodservice brasileiro mudou: está menos frequente, menos impulsivo e mais disposto a pagar um pouco mais caro em troca de experiência e qualidade, sem renunciar a preços baixos e conveniência quando possível.

Se antes o jogo da eficiência era visto principalmente entre os operadores e na indústria, nos anos recentes, ele atingiu o bolso do consumidor, que quer comprar, mas reflete mais antes de consumir. O desafio é entender como otimizar e adaptar sua operação, suas ofertas e seu portfólio de soluções a esse novo comportamento.

Eduardo Bueno é gerente de Business Development na Gouvêa Inteligência.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Reprodução

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Eduardo Bueno

Eduardo Bueno

Economista formado pela USP e pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Insper, atualmente é coordenador de projetos na Mosaiclab e responsável pelo projeto CREST no Brasil. Tem experiência no mercado financeiro, consultoria macroeconômica, Analytics, Compras, além de implementação de projetos de SAP. Atua com inteligência de mercado desde 2015 e, desde 2017, com o setor de Foodservice, com passagem em um dos maiores operadores do setor no país.

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