O ano de 2025 pode ser considerado um ano de moderação no consumo do foodservice brasileiro.
Projeta-se crescimento médio nominal de 1% do gasto total do setor para o ano. Essa moderação do consumo reflete a fraca performance do tráfego até o momento. Nos primeiros nove meses de 2025, o volume de pedidos está 4% inferior ao verificado no mesmo período do ano passado, apesar do leve aumento de vendas.
O Brasil tem hoje bons indicadores macroeconômicos: taxa de desemprego em seus patamares históricos mínimos, rendimento médio real em crescimento e inflação relativamente controlada, apesar da maior pressão quando se trata da alimentação dentro e, principalmente, fora do lar – que impacta preços no foodservice.
Porém, o endividamento e inadimplência recordes têm impactado o consumo das famílias, afetando as compras no foodservice (além de outros setores), fator potencializado pela pressão das taxas de juros elevadas.
Ao longo de 2025, além da queda geral do tráfego, o estudo Crest, conduzido no Brasil pela Gouvêa Inteligência em parceria com a Circana, apurou que os consumidores reduziram sua frequência diária de consumo. Ou seja, a queda do consumo é explicada pelo menor número de compras feitas pelas pessoas no seu dia a dia.
Na prática, os consumidores reduziram seu consumo por fatores financeiros (orçamento pressionado).
Embora generalizada, essa queda no consumo não é uniforme e igual para todos os canais do setor, e existem destaques positivos em 2025. Hotéis, casual dining, restaurantes sofisticados, lojas de conveniência e super e hipermercados têm se destacado em performance, crescendo em tráfego e estabelecendo um padrão para o ano: de um lado experiência, do outro, economia.
Durante a visita da delegação da Gouvêa ao NRA Show 2025, evento que ocorre anualmente em Chicago, houve diferentes visitas técnicas que destacaram dois aspectos fundamentais: a importância da experiência no consumo (e a propensão do consumidor em pagar mais por esse aspecto), e a busca por promoções e preços baixos, para o consumo do dia a dia, mas sem abrir mão da qualidade (sabor, inovação, familiaridade).
Ou seja, indulgência e sofisticação (hotéis, casual dining, restaurantes sofisticados), com consumo pouco frequente no cotidiano, e busca por preços baixos.
Para 2026, a perspectiva é que o setor cresça aproximadamente 3% em termos de gasto. O tráfego continuará a ser um desafio, tendo em vista o atual cenário. O delivery surge como um canal de ganhos potenciais, com a chegada e expansão de novos agregadores. O canal acumula um crescimento de 8% no gasto em 2025, mostrando sua importância para estratégias de crescimento no próximo ano.
Porém, considerando o cenário de endividamento e inflação pressionada na alimentação fora do lar, o consumidor continuará buscando opções mais acessíveis, e estratégias de preços baixos e promoções serão fundamentais para atrair visitas aos canais de compra.
Eduardo Bueno é gerente de Business Development na Gouvêa Inteligência.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato














