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Home Artigos Mercado&Food

As oportunidades de 2026 para o foodservice

Eduardo Bueno de Eduardo Bueno
14 de janeiro de 2026
no Artigos, Artigos Mercado&Food, Destaque do dia
Tempo de leitura: 4 minutos
foodservice

O ano de 2026 trará desafios importantes para o foodservice brasileiro – e também ricas oportunidades. Por um lado, com a inflação controlada e próxima da meta em 2025, abriu-se espaço para uma possível redução das taxas de juros, com potencial impacto positivo no consumo.

Por outro lado, o endividamento e a inadimplência continuarão em patamares elevados, colocando barreiras ao gasto das famílias. Além disso, o deteriorado quadro fiscal implica desafios estruturais urgentes, que podem minar eventuais melhorias conjunturais.

Para o foodservice, o tráfego continuará a ser um desafio, enquanto os preços da alimentação fora do lar mostram tendência de alta. Aos operadores e à indústria caberá a aplicação de estratégias que criem vantagens competitivas para as vendas, considerando o quanto o consumidor se transformou no pós-pandemia e sua crescente restrição orçamentária.

Novos hábitos, cultura alimentar, bem-estar, inovação e preços são as diferentes nuances que nortearão o consumo em 2026.

Comportamento: redução no consumo de álcool, utilização de GLP-1, wellness

Em 2025, 64% dos adultos declararam não beber, um salto em relação aos 55% registrados em 2023, sobretudo entre o público jovem, de 18 a 34 anos, de acordo com a publicação “Álcool e Saúde dos Brasileiro: Panorama 2025”. Essa mudança se reflete nos números do foodservice: de janeiro a setembro de 2025, os bares acumularam queda de 10% em movimento e vendas em comparação com 2024, de acordo com a pesquisa Crest, conduzida há mais de 10 anos pela Gouvêa Inteligência no Brasil, sem contabilizar os efeitos da crise do metanol, que serão sentidos no resultado do quarto trimestre.

A busca por saúde e bem-estar é central nessa redução de consumo e vem provocando disrupções no mercado de alimentação também por meio da utilização do GLP-1.  O controle de saciedade passa a orientar o consumo de um menor volume de alimentos, com foco em produtos mais saudáveis, com destaque para vegetais e proteínas.

Em paralelo, os Estados Unidos divulgaram recentemente novas diretrizes para dietas, colocando proteínas e gorduras naturais no topo das recomendações e incentivando a redução de carboidratos, principalmente dos ultraprocessados, movimento com  potencial impactos na indústria de alimentos e no foodservice.

Ao mesmo tempo, em 2025, a prática de atividades físicas mostrou uma tendência de crescimento consolidada no mundo e no Brasil, impulsionada principalmente pela valorização de atividades ao ar livre, como corrida e caminhada. Segundo dados do relatório “Year in Sport 2025”, divulgado pela plataforma Strava, houve crescimento de quase 800% no número de clubes de corrida no País, com a geração Z impulsionando esse movimento e demonstrando disposição para gastar 68% mais com fitness e wellness.

Trata-se de um panorama que pode desafiar o foodservice tradicional tal como conhecemos, ao mesmo tempo que abre oportunidades de inovação.

Marmitas e bets

As marmitas são parte da cultura alimentar brasileira e têm ganhado novos traços no pós-pandemia, em parte alinhados à cultura do wellness. Segundo dados do FoodCompass, estudo conduzido pela Mosaiclab em 2024, quase 50% dos brasileiros consomem marmitas no dia a dia, e boa parte dessa parcela faz o preparo em casa, seja para economizar dinheiro, seja para cuidar melhor da própria saúde.

Para o foodservice, fica a provocação sobre como o setor pode oferecer refeições mais balanceadas e acessíveis aos consumidores que não têm tempo de preparar seus pratos em casa.

Por outro lado, com impactos relevantes sobre o endividamento e a inadimplência, as bets têm preocupado cada vez mais como fator que reduz os recursos disponíveis para consumo. De acordo com dados do Banco Central do Brasil, esse mercado movimenta mensalmente até R$ 30 bilhões, o que, em termos anuais, representa mais do que o gasto total dos consumidores no foodservice.

Embora ambos os temas estejam em discussão há um tempo, eles não perderam atualidade e seguem importantes entre temas que têm impactado a performance do foodservice.

Tendências alimentares e o caminho da inovação

Anualmente, acompanho as delegações da Gouvêa Ecosystem na NRA Show, em Chicago, e, na edição do ano passado, tendências importantes ganharam destaque, cujos efeitos serão sentidos ao longo de 2026.

  • Alimentação equilibrada: 50% sabor e experiência, 50% inovação e novas ofertas. O consumidor busca produtos que entreguem qualidade, sabor, inovação e funcionalidade.
  • Cozinha de fusão: os consumidores buscam fusões criativas, ingredientes menos convencionais, com o resgate de receitas tradicionais – um equilíbrio entre o novo e o familiar, sem renunciar à qualidade e à autenticidade. Segundo palestra da Technomic durante o evento, os consumidores são nômades gastronômicos, dispostos a explorar novas cozinhas e ingredientes diversos.
  • Experiência e upscaling: produtos premium tendem a ganhar mais espaço no consumo, entregando maior qualidade, aliada a experiências. Isso implica em um maior ticket médio e um maior gasto, mesmo com menor frequência de consumo.

Em 2026, o jogo do foodservice será complexo. Copa do Mundo, eleições gerais e tráfego como desafio. Inovação, qualidade, experiência, novas ofertas e preços competitivos são mais do que esperados pelas pessoas.

O consumidor brasileiro tem nuances. A comida do futuro, em sua expectativa, é multissensorial, multiplataforma e multimotivada – atende diferentes ocasiões, necessidades e precisa estar disponível em diferentes canais.

É um consumidor que desenvolveu autocuidado e preocupação com pertencimento – e para quem o alimento virou um meio de equilibrar o dia a dia.

Esse consumidor não se define por dietas nem rótulos. A mistura de sabores e culinárias é uma forma de surpreender e gerar tráfego, com traços familiares que permitem ir além de uma mera conexão transacional.

O jogo da eficiência vem ganhando cada vez mais relevância no foodservice brasileiro, mas abre com ricas oportunidades em torno de produto, experiência e novos comportamentos.

Eduardo Bueno é gerente de Business Development na Gouvêa Inteligência.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato

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Eduardo Bueno

Economista formado pela USP e pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Insper, atualmente é coordenador de projetos na Mosaiclab e responsável pelo projeto CREST no Brasil. Tem experiência no mercado financeiro, consultoria macroeconômica, Analytics, Compras, além de implementação de projetos de SAP. Atua com inteligência de mercado desde 2015 e, desde 2017, com o setor de Foodservice, com passagem em um dos maiores operadores do setor no país.

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