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Home Artigos

Vamos falar de 2025?

Carolina Cândido de Carolina Cândido
19 de novembro de 2024
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 4 minutos
Vamos falar de 2025?

Passado meados de novembro, adentrando o último mês do ano, perguntamo-nos se é oportuno ou ainda precipitado falarmos sobre as perspectivas da economia brasileira para o ano vindouro. Dada a velocidade acelerada com que tudo acontece atualmente, novembro já é dezembro e, nesse sentido, 2025 já é realidade.

O ano de 2025 traz consigo expectativas mistas que refletem um cenário de transição. Enquanto as conjunturas econômicas apontam para oportunidades significativas, como a retomada de setores estratégicos e avanços tecnológicos, os desafios estruturais permanecem como obstáculos que exigem atenção contínua.

A desaceleração da inflação global, a redefinição de cadeias produtivas e os avanços na sustentabilidade corporativa são alguns dos temas que alimentam perspectivas otimistas. Por outro lado, questões como desigualdade social, instabilidade geopolítica e a necessidade de reformas estruturais em países emergentes reforçam a complexidade do panorama.

Este artigo busca explorar como essas dinâmicas podem moldar o desempenho econômico brasileiro em 2025, analisando os principais fatores conjunturais e os desafios de longo prazo que definirão o futuro das economias ao redor do mundo. Através de uma abordagem analítica, o objetivo é oferecer insights que auxiliem na formulação de estratégias mais resilientes e inovadoras para empresas.

Em meio a um cenário de inflação moderada e alta volatilidade nas políticas monetárias, a recuperação econômica global segue em ritmo lento, refletindo os esforços de bancos centrais para controlar os preços ao custo de um crescimento contido. No contexto global, espera-se que a economia mundial cresça a um ritmo de 3% ao ano, apoiada por um processo gradual de desinflação e resiliência em setores estratégicos. No entanto, as economias avançadas, como Estados Unidos e Zona do Euro, enfrentam uma inflação persistente que pode limitar seu desempenho, enquanto a China segue em desaceleração, com projeções de crescimento abaixo das médias históricas.

No Brasil, as perspectivas mostram um crescimento relativamente positivo, com taxas de crescimento projetadas acima de 2% ao ano. Ainda assim, esse desempenho está condicionado a desafios estruturais significativos, como o equilíbrio fiscal, a reforma tributária e a necessidade de atrair investimentos para setores-chave. Após um período de crescimento sustentado pelo consumo, a economia brasileira poderá enfrentar desaceleração em 2025, especialmente se as taxas de juros permanecerem elevadas por mais tempo do que o esperado. A reversão desse ciclo, prevista para o segundo semestre do ano, é vista como essencial para retomar o dinamismo econômico.

A eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos em 2024 pode impactar significativamente a economia brasileira, principalmente devido à sua política protecionista e nacionalista. Trump tem demonstrado intenção de aumentar tarifas sobre importações para fortalecer a indústria americana, o que pode tornar produtos brasileiros menos competitivos nos EUA, afetando setores como o agronegócio e a siderurgia, que dependem fortemente deste mercado.

Além disso, políticas fiscais expansionistas nos EUA, com cortes de impostos e maior gasto público, podem fortalecer o dólar, resultando em uma desvalorização do real. Isso encarece importações, pressiona a inflação no Brasil e pode levar o Banco Central a aumentar a taxa Selic para conter os efeitos inflacionários. Por outro lado, tarifas mais altas para a China, também propostas por Trump, podem abrir oportunidades para o Brasil em algumas áreas, como commodities e tecnologia.

No campo diplomático, divergências ideológicas entre os governos Trump e Lula podem dificultar acordos comerciais, mas é improvável que a cooperação econômica de longo prazo seja drasticamente abalada. Entretanto, as tensões geopolíticas e possíveis restrições comerciais podem aumentar os desafios para o equilíbrio fiscal e a recuperação econômica do Brasil.

Em termos estruturais, o Brasil continua perdendo competitividade ao passo que tem dificuldade de superar seus desafios de longo prazo. Desde 2020, o país perde posição no Índice de Competitividade Global (Brazil – IMD business school for management and leadership courses) saindo da posição 56º, em 2020, para a posição 62º do ranking, em 2024.
O país tem melhorado sua performance econômica em virtude da recuperação da economia global, mas perde posições em indicadores mais voltado à estrutura econômica como os relacionados à eficiência e produtividade, práticas de gestão, finanças públicas, legislação para negócios, infraestrutura básica e de ciência e tecnologia.

Em síntese, o ano de 2025 se apresenta como um período de desafios complexos e oportunidades estratégicas para a economia brasileira. Em um cenário global marcado pela desaceleração da inflação, redefinições nas cadeias produtivas e avanços em sustentabilidade, o Brasil tem a oportunidade de consolidar sua recuperação econômica, mas enfrenta limitações impostas por problemas estruturais persistentes, como baixa competitividade, fragilidades na infraestrutura e a necessidade de reformas abrangentes.

A influência de fatores externos, como as políticas protecionistas da nova presidência de Donald Trump nos EUA, adiciona volatilidade e incertezas às perspectivas econômicas. As relações comerciais com grandes economias globais serão um ponto crítico para o desempenho de setores estratégicos como agronegócio, siderurgia e tecnologia. Internamente, a capacidade do Brasil em atrair investimentos, implementar reformas fiscais e modernizar suas estruturas de produtividade será determinante para sustentar um crescimento superior a 2% ao ano.

Olhando para o futuro, a construção de um ambiente econômico mais resiliente exige esforços coordenados entre governo, setor privado e sociedade para enfrentar questões estruturais e aproveitar plenamente as oportunidades oferecidas pela transição econômica global. Ao mesmo tempo, o alinhamento entre políticas econômicas e as demandas de sustentabilidade e inclusão social serão essenciais para garantir um crescimento equilibrado e duradouro.

Carolina Cândido é consultora na Gouvêa Consulting.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Shutterstock

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