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Home Artigos

Negócios que mais do que excelência ou sorte, precisam do tempo certo

Caio Camargo de Caio Camargo
20 de maio de 2020
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 3 minutos
Negócios no tempo certo

Não sei se você já se deu conta, mas uma coisa é certa: o varejo parou de lamentar e passou a encontrar caminhos.

Se nas primeiras semanas de impacto da pandemia aqui no Brasil, buscávamos entender o tamanho do buraco que estávamos entrando e o quanto de tempo levaríamos para sair dele, a realidade do momento parece bem diferente.

Uma absoluta maioria de empresas de nosso mercado tem se colocado cada vez mais a buscar ou desenhar soluções para um cenário que se estabelece como novo normal, termo que já está mais do que consolidado em nossa realidade, do que apenas debruçar sobre o problema, esperando que esse se resolva sozinho.

No meio desse contexto, destacou-se a busca frenética por tornar-se digital, ou buscar apoio no canal digital para complementar as vendas, ou minimizar seus impactos.

Em meio a esse novo contexto digital, aliado às questões de isolamento e distanciamento motivadas pela pandemia, é interessante observar como algumas ferramentas, soluções e até mesmo modelos de negócio acabaram sendo beneficiadas pelo momento.

O Zoom é um grande exemplo. Uma empresa que nasceu em meio a competidores do porte de Cisco, Google e Microsoft, e que até tinha sucesso de mercado, com um dos IPO’s mais bem sucedidos de 2019, viu seu valor de mercado catapultar por conta da pandemia e da necessidade de comunicação remota, alcançando na semana passada um valor de mercado que supera, por exemplo, o valor conjunto das sete maiores companhias aéreas do mundo, com algo próximo de US$ 48,8 bilhões de dólares, com um crescimento acima de 2000% apenas nos últimos três meses. Isso mesmo, não é um erro, 2000%.

Por aqui, é óbvio olhar alguns desses exemplos começando pelos aplicativos de delivery, principalmente aqueles que funcionam como um marketplace de empresas de alimentação, como restaurantes, supermercados, entre outros. Antes mal vistos por boa parcela das empresas pelas altas taxas cobradas, aliado à uma falta de visão ou busca de novos canais por parte dos empresários, o que se viu foi uma reviravolta rápida nesse jogo. Esses mesmos empresários viram nessas ferramentas uma solução rápida e eficiente para contornar o problema, entendendo que o cliente busca por conveniência e praticidade de pagamento e entrega, num modelo que só tende a crescer, mesmo se retorne à alguma realidade de negócios próxima ao período antes da pandemia. O consumidor aprendeu e gostou de comprar dessa forma. Com o saldo positivo de experiência, tende a permanecer.

Do mesmo modo, um modelo de negócio que pouco tinha sucesso no Brasil eram os modelos de “Grab&Go”, muito vistos e praticados em outros países, mas que por aqui, não fazia muito a cabeça do brasileiro, mesmo nos grandes centros. Embora existente, a preferência era sempre usar locais como cafeterias ou lanchonetes para um break, ou pequeno descanso em meio ao dia a dia. A Starbucks, por exemplo, é um desses modelos, que se por aqui ainda prevalecia, por conta dos hábitos de seus consumidores, o conceito de “terceiro lugar” das pessoas – a pessoa tem sua casa, seu trabalho, e o “Starbucks” – considerando questões como o ambiente, a música ambiente e o sinal de wi-fi disponível e gratuito, pode ser que com um novo hábito, com menos contato e mais cuidado, talvez seja o momento onde veremos não somente eles, mas uma outra infinidade de negócios similares migrando para esse tipo de formato. Algo expresso e conveniente.

Outro modelo que estava na pauta do varejo mais ainda tardava a acontecer era o modelo de loja autônoma, seguindo os passos e o exemplo de modelos como AmazonGo. Na nova realidade, mesmo com custos altos, passa a ser cada vez mais considerado como um novo modelo a ser estudado (e testado) pelo varejo.

Ainda na esteira da digitalização, startups que ofereciam soluções como chatbots, gestão de estoques e até mesmo automatização de comunicação em canais digitais como WhatsApp, Facebook e Instagram, começam a deixar de ser curiosidade para começar a fazer parte do core business de soluções de uma empresa de varejo atualizada para a realidade do momento.

Na esteira de negócios que só precisavam do momento certo, lembro-me de que alguns anos atrás surgiram algumas propostas de padarias no formato drive-thru, onde muitos falharam exatamente por que a padaria era um desses locais onde as pessoas não abriam mão de um tempo em uma mesma ou no balcão para uma pequena folga do dia.

Se fosse hoje…

* Imagem reprodução

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Caio Camargo

Caio Camargo

Caio Camargo é especialista em inovação no varejo, com mais de 26 anos de experiência. Atua como conselheiro voluntário da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) e Business Advisor, é palestrante e autor do bestseller "Arroz, Feijão & Varejo".

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