Regulamentação de apps pode encarecer corridas e delivery

Proteste alerta para aumentos de preços e impactos sobre consumidores, entregadores e pequenos restaurantes

O projeto que regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo, em discussão no Congresso Nacional, pode provocar aumento no preço das corridas e do delivery no Brasil. A proposta estabelece novos parâmetros de remuneração e regras operacionais para o setor e pode avançar para votação nas próximas semanas.

A Proteste | Euroconsumers-Brasil afirma ser favorável à regulamentação e reconhece a necessidade de proteção social, segurança jurídica e regras claras para os trabalhadores por aplicativo. No entanto, alerta que o texto atual pode gerar efeitos econômicos significativos sobre consumidores, restaurantes e os próprios profissionais, caso não seja precedido de uma análise de impacto mais abrangente.

Garantir trabalho digno é essencial. Mas é preciso reconhecer que quem financia esse ecossistema são os consumidores. Eles também dependem desses serviços no dia a dia, e qualquer mudança regulatória precisa avaliar com seriedade os impactos econômicos sobre quem sustenta esse mercado”, afirma Henrique Lian, diretor-geral da Proteste.

Segundo estimativas analisadas em nota técnica da associação, o transporte por aplicativo pode ter aumento médio de até 50%, chegando a 89% em horários de maior demanda e até 99% em viagens curtas noturnas. No delivery, o preço final do pedido pode subir até 25%, com taxas de entrega até 68% mais caras.

Atualmente, cerca de 125 milhões de brasileiros utilizam serviços de mobilidade e entrega por aplicativo. Para muitos consumidores, especialmente nos grandes centros urbanos, essas plataformas passaram a integrar a rotina de deslocamento, trabalho e alimentação.

Esses dados mostram que políticas bem-intencionadas podem produzir efeitos contrários quando não são precedidas de uma avaliação ampla de impacto. Menos pedidos significam menos acesso para o consumidor e menos oportunidades de renda para quem trabalha”, destaca Henrique.

A associação destaca que serviços de uso recorrente e baixo valor médio são altamente sensíveis a preço. Pequenas variações já alteram o comportamento do consumidor e, caso haja retração relevante da demanda, os impactos podem se espalhar por toda a cadeia.

Projeções indicam que até 390 mil entregadores podem ser impactados e que pequenos restaurantes podem perder até 50% do faturamento via delivery. As estimativas apontam ainda que 9 em cada 10 entregadores poderiam perder atividade em caso de retração significativa do mercado.

A tramitação do PLP 152/2025 segue em discussão no Congresso Nacional.

Imagem: Envato

Redação

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