As bets, popularizadas a partir de 2019, passaram a exercer impacto superior ao dos juros e da oferta de crédito na aceleração da dívida doméstica. Segundo estudo do Ibevar, em parceria com a FIA Business School, o coeficiente associado às apostas (0,2255) é significativamente superior ao impacto do crédito sobre a renda (0,0440) e dos juros ao consumidor (0,0709). Mesmo somados, esses dois fatores não atingem o peso da expansão das bets no aumento da dívida doméstica.
O levantamento analisou dados entre dezembro de 2011 e dezembro de 2025, com base em informações do Banco Central do Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e em indicadores de interesse extraídos de redes sociais por meio de processamento de linguagem natural.
“Ao longo do período analisado, observou-se uma leve tendência de desaceleração no crescimento do endividamento. No entanto, após a entrada das apostas esportivas — legalizadas em 2018 e amplamente difundidas a partir de 2019, antes da regulamentação definitiva em 2023 — a dinâmica da dívida ganha novo impulso”, afirma Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School.
A análise aponta que o fenômeno brasileiro acompanha o observado nos Estados Unidos após a liberação das apostas esportivas em 2018. Estudos apontam que a legalização provocou aumento rápido e persistente no volume apostado, redução da poupança e queda nos investimentos financeiros. Em média, cada US$ 1 gasto em apostas reduziu quase US$ 1 em investimentos no mercado financeiro, com queda de cerca de 14% nos aportes líquidos em corretoras.
No Brasil, os dados indicam fenômeno semelhante. “A conclusão do estudo é clara: o crescimento acelerado do mercado de bets não é apenas uma questão regulatória ou tributária. Trata-se de um fator macroeconômico com potencial de ampliar a vulnerabilidade financeira e pressionar o endividamento doméstico no médio e longo prazo”, destaca Felisoni.
Imagem: Agência Brasil















