Para acompanhar os gostos e as mudanças no comportamento do consumidor, cada vez mais exigente, os setores de consumo estão em constante transformação, e o foodservice não fica de fora. O setor de alimentação está entrando na era das cozinhas especializadas, trazendo sabores mais segmentados para o grande público.
A nova tendência foi apresentada por Eduardo Bueno, head de Pesquisa e Inteligência da Gouvêa Inteligência, que levou ao palco do Connection Foodservice Day 2026, realizado na última terça-feira, 23, na sede do iFood, em Osasco, os principais aprendizados da NRA Show 2026. Os dados apresentados foram elaborados pela Circana, e se referem ao mercado americano.
“Quando nós falamos de tráfego, falamos de produto, e a NRA é um deleite nesse aspecto. Nós já aprendemos muito sobre produto e, na NRA, nós vamos falar da especificidade, de como nós temos que sair do genérico, como cozinha italiana, cozinha árabe e cozinha asiática, e entrar em um detalhe mais específico”, conta Bueno.
Entre as tendências de restaurantes para observar, estão opções saudáveis, como o brasileiríssimo açaí, que já está conquistando o paladar do consumidor estadunidense. A categoria registra crescimento anual de 11% e já conta com mais de 1.180 unidades especializadas.
“O açaí, no ano passado, teve crescimento superior a 200%. Também é um business forte nos Estados Unidos. Nós fomos até uma unidade da Deep Purpl, rede especializada em tigelas de açaí personalizáveis, em uma das nossas visitas técnicas, mostrando a força do mercado de açaí em outros mercados”, destaca Bueno, que esteve em Chicago em maio acompanhando a NRA Show e conhecendo operações pela cidade.
As tendências abrangem categorias e sabores da culinária global, como a cozinha mediterrânea, que cresceu 13% nos EUA e conta com 1.070 unidades especializadas; o café do Iêmen, com o maior crescimento, de 46%, e 54 estabelecimentos no país; o tradicional sushi, com 666 unidades especializadas e crescimento de 5%; e a culinária halal (islâmica), com 260 locais e crescimento de 24%.
“O ponto não é mais o produto genérico. Quando pensarmos em inovação, quando pensarmos em produto, tem que ser um produto bem direcionado para capturar a atenção do consumidor”, explica Bueno.
Sabores mais nichados, como o weed-themed (com cannabis na composição), também ganham espaço, com crescimento de 8% e 143 unidades especializadas. Além disso, as guloseimas seguem em alta, como o gelato, que cresceu 17%, com 145 locais, e o boba, ou bubble tea, que avançou 4% e já conta com 1.848 estabelecimentos, o maior número entre as tendências analisadas. O hot chicken teve o terceiro maior crescimento, de 23%, com 639 espaços dedicados.
“A inovação tem que ser específica e conversar com aquilo que você está fazendo, mas também dá para inovar com produtos tradicionais já conhecidos”, acrescenta.
Imagem: Envato
