O Magazine Luiza tem avançado na diversificação do seu modelo de negócios, com uma combinação de comércio, serviços, tecnologia e infraestrutura, e já colhe os primeiros resultados. Hoje, 25% do lucro da companhia já é gerado fora da operação varejista.
O avanço de outras frentes de receita reforça a estratégia de beyond retail, em que o varejo deixa de ser o único motor do negócio. A trajetória dessa transformação ganhou escala nos últimos anos. Em 2021, no início do ciclo do ecossistema, cerca de 10% das novas vendas e do lucro já vinham de negócios além do varejo. Ao final de 2024, essa fatia alcançou 15% das vendas e 25% do lucro fora da atividade principal.
Esses números foram revelados por Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, durante a palestra de encerramento do Retail Trends Pós-NRF 2026, ao lado de Marcos Gouvêa, CEO da Gouvêa Ecosystem.
Como principal exemplo, Fred citou a Magalog. Criada para atender as demandas do próprio Magalu, passou a operar como prestadora de serviços para outras empresas do varejo, atendendo marcas como Renner, Boticário e TIM. Na prática, o que era um centro de despesa se tornou um negócio rentável, impulsionado pela busca das empresas por alternativas mais eficientes para a última milha e pela instabilidade dos Correios.
“Transformamos um centro de despesa, que era a nossa logística, em um centro de receita, com as instabilidades que estão acontecendo no correio brasileiro. Hoje, estamos ganhando muita cliente para fazer essa última milha”, diz.
Na área de tecnologia, a companhia criou sua própria operação de nuvem, hoje utilizada por empresas fora do grupo. “A gente criou uma cloud também. Hoje, a gente tem mais de mil clientes que usam a nossa infraestrutura na nuvem”, afirma. Para o executivo, a localização dos dados tende a ganhar relevância estratégica: “Cada vez mais, ter os dados hospedados no Brasil, numa empresa com controle brasileiro, vai ser mais relevante, porque o que aconteceu com as tarifas, com o Trump, pode ir para dados também.”
O avanço do ecossistema também passa pelo uso de Inteligência Artificial e pela evolução da jornada de compra. Trajano destacou a aposta no chamado AI commerce, com o uso de agentes conversacionais para vendas. “O consumidor, no futuro, não vai mais buscar com uma palavra-chave e ver um monte de cartões de produtos. Ele vai conversar com um agente de AI e finalizar a compra através de uma conversa”, disse. “Hoje você consegue fazer a compra do começo ao final conversando com a Lu pelo WhatsApp.”
Imagem: Divulgação/Gouvêa Experience















