Quem atua na linha de frente do empreendedorismo social convive diariamente com esperança e propósito, mas também com cansaço, ansiedade e solidão. Embora essas lideranças atribuam nota média de 7,2 ao próprio bem-estar, a avaliação do ambiente organizacional cai para 6,4, segundo a pesquisa DNA do Empreendedorismo Social, realizada pelo Instituto Legado.
Um dos principais achados é que o propósito raramente nasce de objetivos externos. Para cerca de 70% das lideranças, ele surge de um processo de ampliação da consciência sobre o mundo. Vivências de dor pessoal aparecem como fator motivador para 28,8% dos entrevistados, enquanto 25,8% apontam a solidariedade como impulso para empreender com impacto.
Em muitos casos, após um momento de ruptura na trajetória profissional ou pessoal. “Eu trabalhava no varejo e percebi que aquilo não correspondia com o que eu acreditava. Comecei a estudar impacto socioambiental e entendi que era possível alinhar propósito e profissão”, disse uma das participantes.
O custo emocional do impacto
As emoções relatadas pelas lideranças entrevistadas revelam uma realidade marcada por contrastes. De um lado, aparecem sentimentos como esperança (57%), motivação (52%), gratidão (48%) e amor (46%), que indicam conexão com o propósito e senso de realização. De outro, surgem cansaço (55%), ansiedade (51%), angústia (43%), solidão (37%) e insegurança (33%), sinalizando as pressões emocionais e as dificuldades enfrentadas no dia a dia.
Apesar disso, apenas 22% das lideranças afirmam ter acompanhamento psicológico regular, recorrendo principalmente a estratégias individuais, como espiritualidade, meditação, leitura e contato com a natureza.
“Ao longo da pesquisa, ouvimos lideranças que estão transformando o mundo por fora, mas muitas vezes se sentem fragilizadas por dentro”, afirma Diego Baptista, coordenador da pesquisa e do Programa Legado Interior.
A pesquisa mostra ainda que a maioria das lideranças atua com uma visão sistêmica. Cerca de 66% demonstram uma perspectiva holocêntrica, atenta ao impacto sobre todas as formas de vida, enquanto 24% adotam uma visão globocêntrica, orientada ao bem-estar da humanidade. Mais de 60% avaliam que suas organizações operam com um propósito próprio, que vai além da missão formal e busca coerência entre discurso e prática.
O estudo ouviu 67 participantes do Brasil e do exterior ao longo de quatro meses, com uma metodologia que combinou formulários on-line, entrevistas individuais, grupos focais e atividades em sala de aula virtual, priorizando a escuta qualificada e a reflexão pessoal.
Imagem: Envato















