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Home Artigos

Lições que vêm da China – O que podemos aprender com o mercado mais dinâmico do mundo

Eduardo Yamashita de Eduardo Yamashita
15 de março de 2019
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 4 minutos

Aprendendo com quem está fazendo

Não existem mais empresas que não sentem a necessidade de inovar e reinventar seus negócios, realidade essa imposta pela revolução digital e pela transformação do mundo em ritmo nunca antes visto na nossa história.

Na busca pela reinvenção, cada empresa tem tentado diferentes estratégias, mas a melhor forma de aprender é com quem está fazendo. Nesse caso, o estado da arte hoje são as empresas chinesas e os seus denominados Ecossistemas de Negócio.

Porque a transformação vem da China

O epicentro dessa transformação vem das empresas chinesas por pura e simples demanda do mercado. O excelente livro “The 1 Hour China”, dos escritores Jeffrey Towson e Jonathan Woetzel, mostra de forma competente e pragmática como o mercado nesse país se transformou (e se transforma) em um ritmo que é até mesmo difícil de compreender na sua totalidade. Tal ambiente impõe às empresas uma necessidade de transformação que é fator primordial para sua sobrevivência.

As seis megatendências

O livro descreve seis megatendências que levaram o país ao atual ritmo de transformação.

1 – Urbanização: o mundo nunca assistiu a tamanha mudança sócio-demográfica como ocorreu e ocorre na China. Nos últimos 30 anos, 300 milhões de chineses saíram dos campos para as cidades e o mais incrível é que ainda faltam outros 350 milhões de chineses para fazer esse mesmo movimento nos próximos anos. Essa migração implica em uma mudança de absolutamente tudo: estrutura das cidades, dinâmicas de consumo, infraestrutura, impactos ambientais, impactos econômicos, etc.

A Grande Shanghai e seus 36 milhões de habitantes

2 – Escala de manufatura: tudo na China tem escala colossal e isso faz parte do modelo de negócio desenhado pelas empresas chinesas, onde as empresas buscam a todo custo ter uma escala tão superior aos seus concorrentes que se torna muito difícil (ou quase impossível) competir com elas. Esse modelo pressupõe que as companhias precisam crescer e crescer muito rápido. A empresa que alcançar a maior escala irá engolir seus competidores e dominar o mercado. Assim, crescer se tornou obsessão para a grande maioria das companhias chinesas.

Fábrica da gigante chinesa Foxconn

3 – Consumidores emergentes: eu comentei que tudo na China tem escala colossal? Pois bem, nos últimos 30 anos 300 milhões de chineses saíram da pobreza e entraram para a classe média. Estima-se que nos próximos anos outros 200 milhões irão fazer o mesmo. Isso significa que a população da região da Ásia-Pacífico que, em 2009, representava 18% da classe média do mundo, passará a representar 60% dela até 2030. O crescimento global vem e virá dessa região nos próximos anos. Para efeitos de comparação, na década de ouro brasileira (de 2003 a 2013), nós tivemos 30 milhões de brasileiros entrando na classe média. Você consegue imaginar a escala e poder que as empresas dessa região terão na economia mundial?

Chineses na estação de trem em Hangzhou durante o ano novo Chinês

4 – Poder do capital: o sistema financeiro na China impressiona pelo seu alto volume, eficiência, sofisticação e alta complexidade. Toda a escala abordada nas megatendências anteriores faz com o que o governo chinês e as empresas chinesas tenham a seu dispor muito capital, dinheiro esse que é utilizado para reinvestimento, aquisições e aceleração do crescimento.

Hong Kong – um dos principais centros financeiros do mundo

5 – Poder do conhecimento: nos últimos 10 anos o governo chinês passou a investir pesado em educação. Nesse curto espaço de tempo de uma década construiu o maior sistema de ensino superior do mundo e que forma 7,5 milhões de chineses por ano.  O Brasil, por sua vez, tem apenas aproximadamente 25 milhões de formados no ensino superior.  Isso significa escala de poder intelectual. A China tem a seu dispor um exército de cérebros altamente capacitados e por baixíssimo custo.

Estudantes chineses fazendo o Gaokao – o vestibular chinês

6 – Internet chinesa: existem aproximadamente 800 milhões de chineses online, dos quais cerca de 500 milhões só passaram a acessar a internet há menos de oito anos. Era uma população rural, que há menos de dez anos não tinha acesso a nada e que passou a ter acesso a um mundo de informações, oportunidades e infinitas possibilidades através da internet. Esse movimento gera uma profunda e contínua mudança no comportamento dos chineses.

Número de chineses online – Dados da Statista

Além dessas seis megatendências, outro fator que é tão forte quanto – e talvez seja o mais forte de todos – são as intervenções do governo chinês, que tem total autonomia para mudar leis, incentivos e investimentos ao seu bem entender. Essa constante incerteza é o estado “normal” do mercado, o empreendedor chinês sabe que a regra do jogo irá mudar e que isso pode arruinar seus negócios do dia para a noite caso ele não se adapte rapidamente.

Acredito que já ficou claro os motivos pelo quais os grandes movimentos transformadores do mundo estão vindo da China. O contexto de mercado naquela economia obriga as empresas chinesas a pensar diferente. Ou se adapta, inova, diversifica e expande ou morre.

É nesse contexto que nasce uma nova forma de organização das empresas, uma nova dinâmica empresarial batizada de Ecossistemas de Negócio. É uma nova mutação de estrutura organizacional, desenhada e pensada com foco para a inovação, rapidez, adaptabilidade, sinergia, expansão e escala.

No meu artigo “Ecossistemas de negócios: o modelo de crescimento exponencial dos chineses” falei mais sobre esta nova estrutura organizacional.

O futuro definitivamente vem da China e nós temos muito o que aprender com eles. Os chineses estão vivendo uma realidade de mercado que está 10-20 anos na nossa frente e a vantagem disso é que podemos nos preparar hoje para o futuro do nosso mercado.

 

NOTA: A GS&MD realizará o “Ignition 360°” em abril deste ano, que levará uma delegação para conhecer os maiores cases e exemplos de inovação do varejo chinês. O roteiro envolve visitas de estudos, relacionamento e negócios às cidades de Beijing, Shangai, Shenzen, Hanghzou e Hong Kong. Para saber mais, acesse: retailignition.com.br/china

* Imagens reprodução

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Eduardo Yamashita

Eduardo Yamashita

Eduardo Yamashita é COO da Gouvêa Ecosystem, empresa que contribui para a expansão e a transformação do mercado de consumo e varejo brasileiro com uma plataforma estratégica de unidades de negócios, produtos e serviços.

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