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A fortaleza digital do varejo: navegando pelos desafios da cybersegurança em um mundo conectado

M&C Media Labs de M&C Media Labs
16 de setembro de 2025
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 7 minutos
A fortaleza digital do varejo: navegando pelos desafios da cybersegurança em um mundo conectado

O varejo, espinha dorsal da economia e termômetro do consumo, vive uma revolução digital sem precedentes. Da vitrine física à jornada de compra omnichannel, a tecnologia redesenhou a interação entre consumidores e marcas, trazendo conveniência e personalização. Contudo, essa digitalização acelerada abriu uma nova e perigosa frente de batalha: a da cybersegurança. Em um setor que transaciona diariamente um volume colossal de dados sensíveis — de informações pessoais a detalhes de cartões de crédito — , proteger-se contra ameaças cibernéticas deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar uma condição essencial de sobrevivência e confiança.

No Brasil e no mundo, a corrida dos cibercriminosos por vulnerabilidades no ecossistema varejista se intensifica. Ataques de ransomware que paralisam operações, vazamentos de dados que expõem milhões de clientes e fraudes em pontos de venda (POS) que minam a credibilidade de marcas consolidadas tornaram-se uma realidade alarmante. O prejuízo não é apenas financeiro; ele corrói a reputação, afasta clientes e pode comprometer a continuidade do negócio. Navegar por este cenário exige mais do que apenas barreiras tecnológicas; demanda uma cultura de segurança robusta, conhecimento profundo das ameaças e, crucialmente, a escolha de parceiros tecnológicos que possam garantir a resiliência da operação de ponta a ponta. Este artigo explora os desafios, os casos mais emblemáticos e as etapas fundamentais para construir uma fortaleza digital no varejo moderno.

O campo minado digital: desafios globais e a realidade brasileira

A percepção de que apenas grandes corporações são alvos de ataques cibernéticos é um mito perigoso. A realidade mostra que o varejo, com sua vasta e diversificada gama de empresas, de pequenos lojistas a gigantes do e-commerce, está na mira constante dos criminosos. A superfície de ataque é imensa e as táticas, cada vez mais sofisticadas.

Cenário global: uma ameaça onipresente

Globalmente, o setor varejista enfrenta uma escalada de ameaças. De acordo com uma pesquisa da VikingCloud, 80% dos varejistas em todo o mundo sofreram algum tipo de ciberataque no último ano, e mais da metade relatou um aumento na vulnerabilidade de seus sistemas. Os números revelam um cenário preocupante:

  • Segundo o relatório, 52% dos varejistas globais se sentiram mais em risco no final de 2024 do que em qualquer outro momento nos 12 meses anteriores, um indicativo claro da intensificação das ameaças.
  • Os ataques mais comuns incluem o ransomware, que sequestra os dados da empresa e exige um resgate para sua liberação, e os ataques de negação de serviço (DDoS), que sobrecarregam os servidores para derrubar sites e sistemas de pagamento, causando prejuízos imediatos em vendas e na experiência do cliente. Além disso, as fraudes em pontos de venda (POS), onde terminais de pagamento são comprometidos para capturar dados de cartões, continuam sendo uma grande dor de cabeça para o setor.
  • Um dos fatores mais críticos é o elo humano. A mesma pesquisa da VikingCloud apontou que 78% dos funcionários temporários contratados em períodos de alta demanda, como a Black Friday, não receberam treinamento adequado contra engenharia social, uma técnica que manipula pessoas para que elas forneçam informações confidenciais. Isso transforma a força de trabalho, muitas vezes sazonal e com alta rotatividade, em uma porta de entrada para os criminosos.

A realidade brasileira: liderança incômoda

No Brasil, a situação é ainda mais alarmante. O país se destaca negativamente, liderando o ranking de tentativas de ataques cibernéticos na América Latina. Um levantamento da FecomercioSP revelou que o varejo foi o setor com maior número de tentativas de ataques no Brasil em 2023, concentrando 35% dos casos.

Os impactos são devastadores. Estima-se que as empresas brasileiras possam perder até R$ 2,2 trilhões em três anos devido a ações de hackers. Casos recentes ilustram a gravidade da situação. Em maio de 2025, o Grupo Jorge Batista, dono das Farmácias Globo, sofreu um ataque que resultou em um prejuízo superior a R$ 400 milhões. A gigante do varejo de moda, Lojas Marisa, também foi vítima de um ataque de ransomware que deixou seus sistemas, site e aplicativo inoperantes por dias, afetando diretamente as vendas e a confiança dos clientes.

Esses exemplos demonstram que a ameaça é real, presente e afeta empresas de todos os portes e segmentos. A digitalização acelerada, impulsionada pela pandemia e pela mudança de comportamento do consumidor, se por um lado trouxe oportunidades, por outro, ampliou a exposição a riscos que não podem mais ser ignorados.

As etapas da blindagem: construindo uma estratégia de defesa robusta

Diante de um cenário tão adverso, a reação do varejista não pode ser meramente reativa. A construção de uma fortaleza digital exige uma abordagem proativa e multifacetada, que combine tecnologia, processos e pessoas. Especialistas em segurança cibernética, como os da Keeper Security, apontam um caminho claro, baseado em etapas essenciais para a garantia da segurança.

1. Adoção da arquitetura de Confiança Zero (zero trust)

O antigo modelo de segurança, que confiava em tudo que estava dentro do perímetro da rede, está obsoleto. A arquitetura de Confiança Zero parte do princípio de que nenhuma identidade, seja ela humana ou de uma máquina, deve ser automaticamente confiável. Cada solicitação de acesso a dados ou sistemas deve ser continuamente verificada. Isso limita drasticamente o raio de ação de um invasor caso ele consiga comprometer uma credencial, impedindo o chamado “movimento lateral” pela rede.

2. Implementação do Princípio do Privilégio Mínimo (PoLP)

Complementar à Confiança Zero, o Princípio do Privilégio Mínimo dita que cada usuário ou sistema deve ter acesso apenas aos recursos estritamente necessários para executar sua função. Um funcionário do caixa, por exemplo, não precisa de acesso aos relatórios financeiros da empresa. Ao limitar os privilégios, o varejista reduz a superfície de ataque e minimiza os danos potenciais de uma ameaça interna ou de uma conta comprometida.

3. Segurança nos Pontos de Venda (POS) e conformidade com o PCI-DSS

Os terminais de pagamento são um dos alvos mais visados. É fundamental garantir que esses sistemas sejam seguros, com softwares sempre atualizados e em conformidade com o PCI-DSS (Padrão de Segurança de Dados da Indústria de Cartões de Pagamento). A criptografia das informações do cartão, tanto em trânsito (durante a transação) quanto em repouso (quando armazenadas), é uma exigência não negociável para proteger os dados dos clientes.

4. Monitoramento contínuo e detecção de ameaças

Implementar firewalls e sistemas de detecção de invasões (IDS) é o básico. A estratégia moderna, no entanto, vai além, com o uso de Centros de Operações de Segurança (SOC), que monitoram o ambiente de TI 24 horas por dia, 7 dias por semana. Utilizando inteligência artificial e machine learning, essas equipes especializadas podem detectar atividades suspeitas em tempo real e responder a incidentes antes que eles causem danos significativos.

5. Treinamento e conscientização dos colaboradores

A tecnologia sozinha não é suficiente. A linha de frente da defesa é composta por pessoas. Investir em treinamento contínuo para todos os colaboradores, desde a liderança até a equipe da loja, é crucial. Simulações de ataques de phishing, políticas claras de senhas e orientação sobre engenharia social transformam funcionários de potenciais alvos em aliados na proteção da empresa.

O elo de confiança: a importância estratégica dos parceiros tecnológicos

Para a maioria dos varejistas, especialmente os de pequeno e médio porte, manter uma equipe interna de especialistas em cybersegurança com conhecimento de ponta é financeiramente inviável. Além disso, o cenário de ameaças evolui com uma velocidade que exige dedicação e foco exclusivos. É neste ponto que a escolha de um parceiro tecnológico especializado se torna uma decisão estratégica e fundamental.

Um parceiro robusto não entrega apenas tecnologia, mas um serviço gerenciado que abrange desde a infraestrutura de conectividade até a segurança da informação. Ele atua como uma extensão da equipe de TI do varejista, garantindo que as melhores práticas sejam implementadas e mantidas. A parceria certa oferece:

  • Expertise e Foco: Acesso a profissionais altamente qualificados e dedicados exclusivamente a monitorar, prevenir e responder a ameaças.
  • Redução de Complexidade: Simplificação da gestão de uma infraestrutura de rede e segurança cada vez mais complexa, permitindo que o varejista se concentre em seu core business.
  • Conformidade e Certificações: Garantia de que a operação esteja em conformidade com as regulamentações do setor, como o PCI-DSS, evitando multas pesadas e danos à reputação.
  • Escalabilidade e Resiliência: Capacidade de expandir a operação de forma rápida e segura, seja abrindo novas lojas, quiosques ou lançando pop-up stores, com a certeza de que a conectividade e a segurança acompanharão o crescimento.

Nesse contexto, soluções de conectividade gerenciada se destacam. Elas unificam a gestão de todos os pontos de conexão de uma loja — desde os terminais de pagamento e sistemas de back-office até a rede Wi-Fi para clientes — sob um único guarda-chuva de segurança. É o caso de plataformas como o TNSLink for Retail, da TNS (Transaction Network Services), uma empresa com mais de 30 anos de experiência global em infraestrutura crítica para pagamentos. A solução oferece uma rede privada, segura e com certificação PCI DSS, que gerencia toda a conectividade do varejista, utilizando tecnologias como SD-WAN para otimizar o tráfego e garantir alta disponibilidade.

Para o varejo desassistido, como vending machines e quiosques de autoatendimento, que representam uma fronteira em expansão e um novo vetor de ameaças, a garantia de uma conexão segura e monitorada, como a proposta pelo TNS Unattendant, é igualmente vital. Ao transferir essa responsabilidade para um parceiro com a expertise da TNS, o varejista não está apenas contratando um serviço, mas adquirindo a tranquilidade de saber que sua infraestrutura de pagamentos e dados está protegida por especialistas, permitindo que ele foque no que faz de melhor: atender seus clientes.

Valéria Carrete é diretora comercial da TNS.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato
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