Ser cada vez mais relevante na vida do consumidor. Tornar-se essencial, imprescindível, indispensável, fundamental, primordial. Essa é a busca (permanente) que toda empresa tem e terá daqui para a frente. A vantagem competitiva é cada vez mais transitória, pode estar a um toque ou um clique de ser superada. A atenção dos consumidores é cada vez mais fragmentada e difusa.
Estudos de rastreamento ocular citados no livro “Brevidade Inteligente” mostram que gastamos, em média, 26 segundos na leitura de um texto. Permanecemos, em média, 15 segundos na maioria dos sites em que entramos e olhamos nosso celular mais de 344 vezes por dia. Já é e será cada vez mais difícil ser percebido como único, como a opção incontestável.
E como as empresas têm respondido a esta questão? A batalha já não é apenas pelo “market share“, mas sim pelo “share of life“, ou seja, o quanto a empresa participa da vida do consumidor, uma disrupção com as fronteiras antes muito bem estabelecidas, como segmentos de mercado, core business, competidores, diferenciais, etc.
O jogo mudou e poucos perceberam. Como exemplo, podemos citar 3 empresas que estão desenvolvendo essa jornada aqui no Brasil de modo mais efetivo e bem-sucedido, pelo menos por enquanto. São elas:
iFood
Domina toda a cadeia de “delivery” de alimentos, bebidas e demais itens de supermercado, farmácias, pet shop e outros. Como conhece muito bem os hábitos dos consumidores, faz ofertas e “pushs” customizados com alta assertividade. Recentemente. anunciou uma parceria “cruzada” com a Uber, por meio da qual o cliente poderá pedir um Uber dentro do iFood e vice-versa. Além disso, está estruturando seu próprio banco digital.
Mercado Livre
Além de ser líder de mercado do e-commerce brasileiro com o maior marketplace do País, tem a solução financeira do Mercado Pago para “sellers” e consumidores. Recentemente, lançou um pacote unificado de 4 assinaturas de streaming de vídeos que permite economia significativa para o consumidor.
Nubank
O maior case de fintechs do País, com uma base de mais de 100 milhões de clientes e uma taxa de atividade de 83%. Recentemente lançou seu plano de telefonia celular, o NuCel, com forte campanha de marketing e preços que desafiam os tradicionais pacotes das grandes operadoras.
Segmentos distintos, mas claramente com algo em comum. A visão delas de colocar o consumidor no centro das decisões e entender profundamente seus hábitos de consumo, preferências e motivações muda o jogo. São “data driven“, digitais, integram os negócios com uma perspectiva financeira e entendem o poder do relacionamento para geração de novos negócios. É muito mais do que tecnologia. É uma visão de negócios pautada em propósito e contexto, do ponto de vista do consumidor.
As empresas citadas como exemplo expandiram sua atuação para novos negócios em áreas “não óbvias”, mas que fazem sentido do ponto de vista do consumidor. Qual é o limite? Até onde expandir sem abandonar o core business? Ninguém sabe. Nem elas próprias. Estes limites serão testados, redesenhados e validados à medida que as novas iniciativas tiverem maior ou menor adesão e gerarem valor para os consumidores.
O importante é ser mais relevante e participar mais da vida do consumidor com base no que gera valor do ponto de vista dele. Um desafio gigantesco a ser superado. Ao mesmo tempo, uma oportunidade na mesma proporção. Essa é a ambição que deveria servir de inspiração para as empresas que pretendem permanecer no jogo dos negócios por mais tempo.
Rodrigo Catani é head da Gouvêa Consulting.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato















