Recentemente fui convidada pela Abimaq para gerar reflexões sobre o tema deste artigo. Assim, compartilho uma análise aprofundada sobre os movimentos e tendências que moldarão o dinâmico mercado de foodservice em 2026.
O ano de 2026 não será apenas uma sequência natural do que vivemos hoje, será um período de adaptação estratégica, inovação disruptiva e consolidação de novas realidades, e é fundamental que estejamos preparados para navegar por essas transformações.
Observamos uma reconfiguração notável dos nossos espaços físicos, impulsionada tanto pelo mercado imobiliário quanto por mudanças profundas no comportamento do consumidor. A consolidação de redes de franquias e planos de expansão continua a ditar o ritmo, exemplificada por sinergias e centralização de operações.
Paralelamente, a vitalidade do setor de shopping centers é inegável, com as inaugurações e expansões previstas para 2026 consolidando os food halls como verdadeiros epicentros, onde a gastronomia e o entretenimento ocupam o topo da Área Bruta Locável (ABL).
No entanto, a expansão vai além dos centros comerciais; marcas como Outback, KFC e Taco Bell demonstram uma estratégia audaciosa de expansão para além do mall, investindo em megalojas e novos formatos nas capitais, buscando uma capilaridade que as conecte ainda mais com o pulso urbano.
Em um movimento que promete revitalizar nossas cidades, a Lei da Fachada Ativa ganhará força nos grandes centros urbanos, incentivando a ocupação do térreo e promovendo uma conexão mais orgânica com a vida citadina, o que representa uma oportunidade dourada para pequenos negócios que operem com extrema eficiência.
Ao mesmo tempo, estamos mergulhando de cabeça na nova era do digital e na otimização operacional. A pandemia acelerou a digitalização, mas agora o foco se volta para a inteligência e a eficiência. Nesse contexto, o delivery não é mais apenas uma opção, mas um campo de batalha em que os grandes players de delivery demitirão sellers ineficientes, impulsionando a retomada das dark kitchens de forma mais estratégica, com operações mistas otimizadas que equilibram a presença física com a agilidade das entregas.
O crescimento do e-commerce é um fenômeno de proporções gigantescas no Brasil, que se posiciona entre os maiores players globais. Com faturamento superior a R$ 200 bilhões em 2024 e projeção acima de R$ 234 bilhões para 2025, impulsionado pela Inteligência Artificial, machine learning e Big Data, a digitalização oferece ferramentas essenciais para análise preditiva, aumento de vendas e fidelização de clientes. Os centros de distribuição reúnem trabalhadores e há a necessidade de alimentá-los em três turnos.
Em meio a todas essas inovações, o consumidor brasileiro continua a trazer à tona o valor de formatos mais tradicionais. As marmitas se tornam resilientes e são um exemplo eloquente disso. Com a explosão de apartamentos compactos pelo País, por exemplo, em São Paulo, em 2025, mais de 70% dos lançamentos foram de metragem igual ou menor a 50 m²; cresce a demanda por refeições práticas, caseiras e saudáveis, o que exige centros de produção eficientes e modelos de negócio mais ágeis.
Curiosamente, a percepção de um mundo totalmente home office está realmente perto do fim. Para muitos trabalhadores, poderá significar a potencial retomada do fluxo de almoços on-premise, nos estabelecimentos físicos, coexistindo harmoniosamente com a conveniência da marmita e do delivery.
E quem diria? A padaria “is back”, e com força. Com quase 99 mil padarias no Brasil e mais de 390 novas aberturas nos últimos três meses, além de mil novos restaurantes no mesmo período, segundo dados Data Driva, o setor demonstra vitalidade e um apego do consumidor por conveniência, qualidade e o toque humano que esses estabelecimentos oferecem.
Outros segmentos, como o minimercado, também prometem continuar seu crescimento em duplo dígito, consolidando-se como opções ágeis e de proximidade para o dia a dia.
No varejo alimentar, espera-se um crescimento de 3,5% a 4% em 2025, com frentes importantes como a reforma do PAT, a abertura de farmácias em supermercados e a mudança na comunicação da data de validade dos produtos (visando à redução de desperdício) podendo gerar uma modernização significativa.
O Brasil está inegavelmente no hype. Nossa rica cultura, gastronomia e arte ganham destaque global, impulsionando a exportação de ingredientes e equipamentos. Esse cenário é magnificado por um turismo interno e internacional aquecido, com 5,3 milhões de visitantes e um movimento de US$ 168 bilhões em 2025, representando 7,7% do PIB, com a previsão de criação de 8,2 milhões de empregos. Para 2035, as projeções indicam uma contribuição de US$ 199 bilhões, com um aumento expressivo nos gastos de visitantes internacionais.
Regiões estratégicas, como o que temos chamado de Novo Nordeste Brasileiro pela pujança e notoriedade que a região tem representado, além de receber atenção especial, contam com o Banco do Nordeste (BNB) destinando R$ 1,4 bilhão para o setor de turismo em 2025, beneficiando diretamente a hospitalidade e a alimentação.
O catering aéreo também retoma seu crescimento, com uma notável dinamização da produção e o surgimento de novos canais.
A expansão de espaços abertos, como os 309 quiosques no Rio de Janeiro, a Orla Parque Villa-Lobos, com inauguração prevista para breve, além da evolução de toda a orla do País, passa por profissionalização e conecta pessoas e experiências gastronômicas ao ar livre, refletindo um anseio por lazer e convívio.
Grandes eventos continuarão a impulsionar o foodservice: a diversão em alta, com o mercado de entretenimento faturando R$ 140 bilhões em 2025; a expansão de parques temáticos em todas as macrorregiões do País; a Copa do Mundo de 2026, que certamente aumentará a frequência em bares e restaurantes; a expansão da implementação da escola integral, com previsão de R$ 4 bilhões em 2026; e a significativa expansão hospitalar, com investimentos bilionários, todos gerando uma demanda crescente por serviços de alimentação qualificados.
Em termos de cenário macroeconômico, as projeções para o fechamento de 2025 permitem um otimismo cauteloso, mas estratégico. No plano geopolítico, a China busca reciprocidade, com sua cultura de escala e preço baixo, fator que inevitavelmente impactará a competitividade e a cadeia de suprimentos global e exigirá nossa atenção contínua, uma vez que redes chinesas começam a voltar sua atenção para o Brasil.
Nossa máxima para 2026 é lembrá-lo de que a indústria de alimentos, equipamentos, serviços, distribuição ou operações pode crescer de forma expressiva em 2026; porém, é necessário organizar estratégias para onde o vento realmente esteja favorável.
Para finalizar, reafirmo um compromisso inabalável com o futuro do foodservice: que o otimismo, a atitude positiva e a dedicação na profissionalização inspirem o desenvolvimento contínuo do segmento. Que isso resulte em uma maior adesão do consumidor, atraia profissionais apaixonados e, consequentemente, promova uma melhor remuneração, competitividade e eficiência para todos na cadeia.
O futuro do foodservice é, sem dúvida, promissor. Avante!
Cristina Souza é cofundadora e CEO da Tanjerin.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato














