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O emprego já não é mais aquele. E temos que mudar nossa forma de pensar

Avanço acelerado da tecnologia e do digital transformaram a estrutura do emprego tradicional com novas demandas

A transformação a que assistimos no emprego é resultado da convergência de diversos movimentos que acontecem em paralelo e redesenham a realidade como a conhecíamos. Mas continuamos a usar a mesma régua para medir o comportamento do emprego como se fosse possível avaliar com o mesmo instrumental o comportamento dos adolescentes dos anos 1950 e o das gerações Y E Z. São mundos, conceitos, hábitos, competências e níveis de informação totalmente diferentes. E o que era verdadeiro no passado é diferente agora.

Como resultado, quando comparamos índices de emprego e desemprego do passado com os do momento atual, é preciso muitos parênteses e considerações para tentar normatizar as referências e bases envolvidas.

E a pandemia acabou por acelerar e tornar ainda mais relevantes alguns desses movimentos. O mais forte detonador da estrutura tradicional do emprego foi o avanço acelerado da tecnologia e do digital, em especial na área industrial. Essa tendência ocorre também na agricultura, nos serviços e na emergentes alternativas e demandas dos omniconsumidores, que criaram um cenário totalmente transformado.

A indústria incorporou a robotização e muitos outros recursos. A agricultura mecanizou e incorporou tecnologia. Os serviços, o comércio e o varejo transformaram a realidade com o e-commerce e as comunicações, enquanto o entretenimento e o lazer passaram a ser balizados pelas redes sociais.

Em todas essas vertentes, pessoas, empregos e trabalhadores foram substituídos por outros recursos, em boa parte, mais eficientes e baratos. Esse processo provocou intensa transformação da realidade, com a extinção de empregos e a migração para outras alternativas. Como resultado líquido, surgiram novas demandas e a necessidade de reciclar a oferta.

Outro emulador dessas mudanças está na disseminação do que se convencionou no mundo se chamar de Gig Economy, ou a tendência da adoção do autoemprego, com prestação de serviços para empresas diversas e até de forma concomitante, com melhores oportunidades de ganhos e mais liberdade e controle do próprio tempo.

Esse movimento já vinha se desenhando e a pandemia potencializou essa tendência, quando muitas empresas tiveram que rever seus quadros e, com o home office, descobriu-se a virtude desse modelo por antigos empregadores e empregados.

É bem possível que parte dos que migraram para a Gig Economy, ex-empregadores e empregados tradicionais, volte para o cenário anterior passada a pandemia. Mas, seguramente, um contingente muito maior permanecerá no novo modelo pela análise racional de suas vantagens. E a legislação trabalhista terá que ser revista novamente para se adequar à nova realidade.

Outro movimento importante no Brasil é o que estimulou o forte crescimento das MEIs, categoria criada e regulamentada no final de 2008, com suas vantagens e características.

Parece quase coincidência que tínhamos perto de 12,3 milhões de MEIs ao final de maio de 2021, número próximo dos 14,4 milhões de desempregados, dado mais recente segundo os cálculos tradicionais. Somente em 2020, dominado pela pandemia, foram 2,6 milhões de novos cadastrados como resultado do estímulo ao registro e os benefícios tributários gerados. Se hoje conhecemos e medimos essa realidade é graças ao estímulo à formalização possível desse grupo.

E tudo indica que esse número continuará a crescer, em especial dependendo do que possa acontecer com a enrolada e controversa reforma tributária, que poderá criar estímulos adicionais ou fazer retroagir esse processo com uma nova realidade artificial como a que temos visto.

No quadro atual existe um forte estímulo para expansão dessa modalidade, substituindo ou complementando o fenômeno da “pejotização”, um mecanismo natural de mercado para ajustar as distorções da legislação trabalhista, sempre defasada em relação à realidade.

Também não pode ser esquecida a transformação da própria sociedade, em especial da parte mais contemporânea que permanece mais tempo na casa dos pais, que se casa mais tarde, demora mais para ter filhos ou que continua mais tempo se aperfeiçoando para enfrentar o cenário em profunda e ampla transformação.

Para além dos Nem-Nem, os que nem trabalham e nem estudam, temos os Mais-Mais, com mais tempo para si e mais tempo para se preparar para o mercado em profunda transformação. Desta forma, é preciso entender que comparar os números atuais de emprego e desemprego no mundo com os do Brasil, em particular, significa relativizar todo esse processo e ser muito mais cauteloso com toda e qualquer forma de comparação temporal, geográfica e setorial.

Nota: Durante o Latam Retail Show virtual, de 14 a 16 de setembro, ocorrerá ampla discussão sobre a realidade do perfil do emprego global e no Brasil numa pauta ampla de temas envolvendo o conhecimento e o estudo de casos relacionados a esse fenômeno da mudança estrutural do emprego inerente à sociedade 5.0, macro tema do evento deste ano.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado & Consumo.

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, membro do IDV – Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, do IFB – Instituto Foodservice Brasil, Presidente do LIDE Comércio e membro do Ebeltoft Group, aliança global de consultorias especializadas em varejo em mais de 25 países. Publisher da plataforma Mercado & Consumo.

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