Como trazer o ESG para o centro de negócios de pequeno e médio porte

Implementar e medir práticas ambientais, sociais e de governança podem fazer parte da rotina de toda e qualquer empresa. Tamanho não é documento quando o objetivo é fazer a diferença de forma positiva

Você já deve ter ouvido essa sigla em algum momento: ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês, ou Ambiental, Social e Governança, em português). Como qualquer “novidade”, ela pode trazer junto uma série de questionamentos, dúvidas e incertezas, fazendo com que muitos empresários acreditem que é uma coisa para grandes empresas e multinacionais se envolverem.

Vou mostrar aqui que quem pensa assim ainda tem muito o que aprender sobre o ESG e que ele pode ser incorporado a empresa de qualquer tamanho. Qualquer mesmo! Um empreendedor que trabalhe de forma independente, em sua casa, pode ter políticas de ESG bem definidas e impulsionar seu negócio com essa prática.

Mas antes de a gente chegar nesse ponto da nossa conversa, você precisa entender, de uma vez por todas, como o mercado evoluiu para esse conceito e por que ele é tão importante nos dias de hoje.

A jornada da sustentabilidade que deu origem ao ESG

Por volta de 1850, ao final da primeira Revolução Industrial e início da segunda, a humanidade testemunhou avanços tecnológicos nunca antes vistos. As máquinas à vapor, o desenvolvimento de motores e maquinários mais potentes e o domínio sobre a eletricidade proporcionaram maior exploração de recursos naturais, produção e aceleração das atividades industriais e, com isso, um alto índice de crescimento populacional.

Ainda no século 18, Thomas Malthus (economista, estatístico e demógrafo) publicou a “Teoria Populacional Malthusiana”, em 1978, trazendo os primeiros conceitos de sustentabilidade e apontando o desequilíbrio do crescimento populacional com os meios de subsistência.

Mas foi só nas décadas de 1960 e 1970 que as primeiras reflexões em larga escala começaram a ser realizadas para analisar os danos causados no meio ambiente, como a Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente, organizada pela ONU em 1972.

Em 1987, a ONU lançou o relatório “Nosso Futuro Comum”, que trazia o impacto do mundo corporativo no meio ambiente. Em 14 de junho de 1992 foi assinada no Rio de Janeiro, por 179 países, durante a Rio-92, a Agenda 21 Global, que contempla o envolvimento das comunidades locais para o estabelecimento de diagnósticos e determinação de metas para desenvolvimento da temática sustentabilidade.

Em 1994, o consultor britânico John Elkington lançou o conceito do Tripé da Sustentabilidade ou Tripple Botton Line, no qual define os 3P’s da sustentabilidade e aponta quais deveriam ser a os indicadores de performance das empresas, tendo a sustentabilidade como o ponto de interseção desse tripé: planet (Planeta, relacionado à performance do meio ambiente), people (Pessoas, relacionadas à performance social) e profit (Lucro, relacionado à performance econômica das empresas).

Em 2004, o Banco Mundial, em parceria com o Pacto Global da ONU e instituições financeiras de 9 países, fez uma publicação trazendo o termo ESG pela primeiríssima vez, com o objetivo de integrar o conceito ao mercado de capitais, de forma que o lucro não fosse mais o foco central, e sim a relação e o impacto que as empresas causavam ao meio ambiente, na sociedade e que demonstrassem governança (prestação de contas sobre isso), tendo o lucro como consequência desse trabalho.

Em setembro de 2015, 193 países adotaram a Agenda 2030, que contempla um conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, dando uma meta comum a todos os envolvidos, proporcionando que cada país e Estado estabeleça suas próprias estratégias para o alcance desses objetivos:

Mas o que o ESG tem a ver com a minha empresa?

Tem tudo a ver! Em aspectos macroeconômicos, a sua empresa faz parte de uma economia estruturada e codependente, onde cada empresa tem a sua parcela de contribuição, independentemente do seu porte ou segmento. O varejo, por exemplo, é responsável por cerca de 50% do PIB brasileiro e as oscilações do setor causam grande impacto em todo o mercado nacional.

Consumidores buscam cada vez mais marcas para compartilhar não só paixões, mas também valores e ações práticas relevantes para o meio ambiente e a sociedade. Provocar esse tipo de transformação no seu negócio pode ser um excelente caminho para fortalecer esse relacionamento e consequentemente melhorar seus resultados, que é justamente a proposta do ESG. Mas essa transformação precisa ser genuína e vivida no seu dia a dia, indo muito além da ações pontuais para divulgação e marketing.

No artigo Tendências: A relevância do ESG no fortalecimento do engajamento e consumo, Karen Cavalcanti, sócia-diretora da Mosaiclab, área de inteligência da Gouvêa Ecosystem, reforça alguns pontos cruciais no processo de implementação de uma cultura ESG, como objetividade, transparência e conexão, além de destacar com muita clareza o papel do varejo no contexto ESG.

E como faço para desenvolver e implementar o ESG dentro da minha empresa?

Talvez você já até faça, ou tenha andado a metade desse caminho sem ter necessariamente uma consciência estruturada sobre isso. Ou seja, poderia estar fazendo mais e melhor, mas ainda não se deu conta de como fazer.

Primeiro de tudo: o ESG precisa fazer parte das suas crenças e consequentemente do que a sua empresa acredita, seus valores, propósito e pessoas que fazem parte dela e que vivem a cultura corporativa no dia a dia. O ESG para ser real precisa vir de dentro para fora, caso contrário, será mais difícil garantir a perenidade e os princípios básicos desse conceito sustentável.

Para detalharmos com mais precisão esse caminho, você precisa ter muita clareza do que são crenças, valores, propósito e cultura corporativa. Vamos lá! Crença é o que te dá auto permissão de fazer algo ou não, é o que você aprendeu a ser certo ou errado, é o que você acredita.

Os valores são a sua base. Eles definem os traços de personalidade e ajudam nos processos de decisão, dando um norte para qual rumo a pessoa deseja seguir, ou seja, o que você valoriza. É muito comum que empresas sejam criadas com base nas crenças e valores de seus fundadores, afinal quando você inicia um negócio, um princípio básico é acreditar nele e no que ele representa.

Já o propósito é a sua missão de vida, é o que te motiva todos os dias. Empresas com propósito bem definidos e que vivem ele em sua rotina constroem culturas corporativas fortes. O ESG para ser genuíno precisa ser construído dentro desse processo, nascendo das cresças e dos valores, virando um propósito até se tornar uma cultura vivida por todos dentro da empresa.

Quando o ESG é introduzido como algo externo, na contramão desse caminho, ele deixa de ser sustentável.

Tendo isso bem definindo, estabeleça as suas metas ESG. Como você irá impactar positivamente o ambiente à sua volta e a comunidade em que está inserido? Como irá comunicar essa transformação, agir de forma transparente com seus colaboradores e consumidores e convidá-los para fazer parte dessa transformação com você?

Seja a renegociação com fornecedores ou a escolha de novos que utilizem políticas de redução de carbono na produção, reformular suas embalagens, promover ações sociais e tonar seus produtos mais justos e sustentáveis, incluir a economia circular no seu negócio etc. Enfim, as opções são inúmeras.

O importante é se organizar, estabelecer as suas metas, começar a colocar a mão na massa e envolver a sua comunidade e os seus consumidores para fazer parte dessa tendência que veio para ficar e que promete redefinir os rumos do mercado de varejo e consumo no Brasil e no mundo.

Roberta Andrade é gerente de Soluções da Friedman.
Imagem: Shuttersrtock

Roberta Andrade

Roberta Andrade

Roberta Andrade é responsável pela criação de soluções e condução de projetos para varejistas e prestadoras de serviços na Friedman, empresa da Gouvêa especializada em Gente, Gestão, Talentos e Treinamento.

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