A EuroShop 2026 chega ao fim consolidando a tecnologia como eixo central das discussões do varejo global. O que se viu, porém, foi uma abordagem mais prática do que futurista. Apesar da expectativa em torno da Inteligência Artificial (IA) aplicada à jornada de compra, as soluções apresentadas concentraram-se principalmente em eficiência operacional, gestão de estoque e suporte à decisão.
Uma área inteira foi dedicada à logística reversa. Chamaram atenção as máquinas de coleta de recicláveis, capazes de receber embalagens, latas, vidros e garrafas PET e converter o descarte em crédito para o consumidor. Embora não sejam exatamente uma novidade, a evolução apresentada nesta edição é percebida tanto na tecnologia quanto no design.
Do ponto de vista operacional, os equipamentos estão mais intuitivos e integrados aos sistemas das lojas, facilitando a jornada do cliente e ampliando o engajamento. A recompensa financeira pode convertida em desconto ou produto no próprio ponto de venda. Já o design está mais sofisticado. Equipamentos antigos e imensos dão lugar a soluções visualmente sofisticadas, pensadas para se integrar à arquitetura da loja.
A tecnologia aplicada à decisão de compra também avançou. Painéis digitais interativos surgiram como ferramentas de apoio à experimentação, aproximando recomendação algorítmica e experiência física. Um dos exemplos apresentados foi um painel de LED retroprojetado posicionado atrás de uma prateleira de óculos escuros. O consumidor seleciona estilos de armações e lentes na tela e o equipamento indica os pares que considera mais relevantes considerando as preferências indicadas.
Outro ponto que chamou a atenção é uma tecnologia crescente relacionada ao planograma, com uma oferta de recursos para auxiliar o lojista na estratégia de estoque e de reposição de produtos. Isso vale tanto para produtos que são contabilizados por unidades, produtos embalados, quanto itens de hortifrúti que são contabilizados por peso. Há câmeras mapeando o que o consumidor manuseia ou retira da gôndola.
Além disso, diversos expositores mostraram soluções que ajudam também na definição desse planograma. Câmeras identificam oportunidades de exposição e de alocação de produtos nas prateleiras, considerando áreas que estão vazias ou itens que estão em falta ou que existem em menor quantidade.
Renato Diniz é sócio e head de Criatividade do Estúdio Jacarandá. Ele faz uma cobertura especial da EuroShop 2026 para a Mercado&Consumo.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagens: Renato Diniz














