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Home Artigos

Quando a coopetição chegará ao foodservice?

Cristina Souza de Cristina Souza
29 de março de 2022
no Artigos, Destaque do dia
Tempo de leitura: 3 minutos
Entrega abaixo de 25 minutos aumenta a frequência no foodservice

Na edição 2022 do Lide Comércio, realizada neste mês de março, grandes varejistas como Magalu, Via Varejo, RaiaDrogasil, Boticário, Carrefour, entre outros, passaram pelo palco para dividir e debater suas melhores práticas. Fica claro que a cultura e as práticas orientadas à construção de ecossistemas avançam a passos largos nessas organizações.

Outro grande destaque é a evolução do comércio eletrônico dessas empresas. Originalmente, todas nasceram no conceito 1P, que que significa que esse player tem domínio de toda a cadeia, desde o recebimento do pedido, separação do pedido, emissão da nota, transporte (monitoramento) até a entrega na casa do cliente.

Usando sua curva de aprendizados, competências internas e criando condições para que players menores e, também, indústrias possam se beneficiar das suas estruturas, empresas como Magalu e Via Varejo esclareceram que a sua nova oportunidade de crescimento está no modelo 3Ps, ou seja, o marketplace expõe, captura e consolida as questões de pagamento da venda, porém, os processos de separação e emissão de nota e entrega ocorrem sob a coordenação e o acompanhamento dos vendedores (sellers).

O conceito de marketplace tem democratizado o acesso a pequenos empreendedores às maiores vitrines virtuais, o que sem dúvida é um motor nesse momento de recuperação pós-crise, especialmente para apaziguar o desemprego. Mas, o que mais chamou a atenção foi o fato de a indústria estar se tornando um seller cada vez mais presente. Por quê? Porque a indústria está ávida pela desintermediação das suas relações com os consumidores.

Mas isso não “mata” o modelo de negócios dos varejistas? Em uma discussão muito bem coordenada, Sérgio Leme, vice-presidente de Logística e Expansão da Via, ficou claro que não. A mentalidade em construção é a de coopetição, ou seja, todos competem pelo cliente, mas cooperam entre si com o compartilhamento de dados sobre o comportamento dos clientes, ações de impacto social, venda de serviços que reduzem a curva de aprendizado dos parceiros e geram novas receitas e informações mutuamente.

E no foodservice, quando teremos um ambiente de coopetição no comércio eletrônico de alimentos? Nesse momento, devemos dividir o tema em duas partes. A primeira voltada aos distribuidores e indústrias de alimentos. A segunda, em relação aos restaurantes e indústrias para combinar suas competências no delivery de refeições.

Durante a pandemia houve grande movimentação em relação à aceleração das iniciativas de marketplaces dedicados ao abastecimento dos negócios de alimentação fora do lar, redução das equipes de vendas no campo a partir da agregação de tecnologia e amplificação das vendas via call center e WhatsApp. Distribuidores e indústrias se apoiaram, mas não há ainda uma sequência consistente ao que vemos no varejo.

Esse é um momento emblemático para o setor de alimentação fora do lar. A perspectiva para os três  próximos anos é de crescimento, porém, com o cenário de inflação atual, investir na digitalização do modelo de abastecimento mimetizando as boas práticas do varejo é o que mais faz sentido. Essa é uma discussão muito presente no Ecossistema Gouvêa, já que atendemos as duas pontas e podemos apoiar nessa aceleração.

O cenário mais preocupante é o do delivery. Temos um grande e respeitável player que com muito investimento em tecnologia dominou o mercado nacional. Existem alguns players regionais, iniciativas em evolução de redes que se uniram, configuração através da Abrasel, mas são mais de dez anos de atraso para que haja uma solução suficientemente atrativa para consumidores, restaurantes e bares independentes, esses últimos do que tange a exposição, taxas e serviços.

Além disso, a indústria de alimentos e bebidas, com raras exceções, não compreendeu que apoiar o delivery através do investimento em plataformas de forma integrada irá potencializar a venda dos operadores e no futuro poderá incluir lojas virtuais próprias da sua marca.

Minha esperança e, sentimento de potencial virada de mesa, é que o foodservice se tornou o melhor investimento para os grandes ecossistemas de negócios no Brasil, bem como para os fundos de investimentos por permitirem a frequente oxigenação das bases, bem como o conhecimento aprofundado sobre o comportamento dos seus clientes no dia a dia, o que chamamos de jornada da vida do cliente.

Fato é que o modelo de coopetição gera muitos benefícios na aceleração das entregas (produtos e serviços) desejadas pelos consumidores, ou seja, a razão de existir das nossas empresas. Pergunte-se por que não acelerar?

Cristina Souza é CEO da Gouvêa Foodservice
Imagem: Shutterstock

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Cristina Souza é empresária e especialista em estratégia e inovação para o mercado de foodservice cofundadora e CEO da Tanjerin .

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